Taxa de abstenção do primeiro dia da 2.ª fase da Unicamp foi de 12,2%

Para professores, tempo foi 'insuficiente' para a resolução de questões 'densas'

Cristiane Nascimento, Especial para o Estadão.edu,

13 Janeiro 2013 | 22h22

A taxa de abstenção do primeiro dia de provas da segunda fase da Unicamp foi de 12,2%. Dos 15.352 candidatos convocados, 1.874 não compareceram aos exames deste domingo, 13. Em 2012, o índice de abstenção foi de 10,7%.

Os vestibulandos concorrem a 3.444 vagas em 68 cursos da Unicamp e outros dois da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp). As provas desta etapa do processo seletivo serão aplicadas até terça-feira, 15, em 18 cidades do País.

A segunda fase do vestibular da Unicamp possui cinco provas. A cada dia, os estudantes devem responder a 24 questões dissertativas. Neste domingo, os candidatos tiveram de resolver as questões de língua portuguesa, literatura e matemática. Na segunda, 14, serão aplicados os exames de língua inglesa e de Ciências Humanas e artes. Por fim, na terça, a prova aplicada será de Ciências da Natureza.

Provas

Luís Ricardo Arruda, coordenador-geral do Anglo, pontua que os 240 minutos que os candidatos tiveram para resolver as 24 questões foram insuficientes. Em cada uma das questões havia dois itens e, com isso, o aluno tinha, em média, 5 minutos para resolver cada um deles. “Acho muito difícil que os alunos tenham feito a prova completa”, afirma. “Mas vestibular é uma competição, não é? Então se sairão melhor aqueles que tiverem conseguido resolver mais questões”, diz.

O professor de português do Objetivo Nelson Dutra concorda com Arruda. “Algumas questões são densas a ponto do espaço destinado a suas resoluções serem insuficientes para respostas completas”, diz. O professor cita como exemplo a questão de número 11, que levanta questionamentos sobre Memórias de um Sargento de Milícias. “Para responder de modo completo, neste caso, o aluno deveria fazer três dissertações pequenas explicitando características do romantismo brasileiro, dos personagens e do enredo do livro”, diz.

Na sua opinião, a densidade das questões deve ter refletido, diretamente, na administração do tempo para a resolução das questões. “Acredito que os vestibulandos tenham se sentido sufocados pelo tempo”, diz.

Apesar do problema apontado, Dutra definiu a avaliação como uma prova exemplar no que diz respeito à cobrança de conteúdos de língua portuguesa. “É um exame que exige que os alunos saibam ler o mundo e ler também criticamente os livros”, afirma.

O coordenador pedagógico do Etapa, Marcelo Dias Carvalho, discorda da afirmação de que o tempo foi insuficiente para a resolução das questões. “O tempo me parece adequado, até mesmo porque as questões não exigiram muito, não tinham um alto grau de dificuldade”, diz.

O diretor pedagógico do cursinho Oficina do Estudante, Célio Tasinafo, destaca o peso que as obras de literatura obrigatória tiveram na avaliação. De acordo com o diretor, seis das 12 questões de português exigiram conteúdos relacionados com os livros. “Um candidato que não leu, por alguma acaso, as obras selecionadas e limitou-se a consultar resumos, teria de ter uma excelente memória para conseguir responder às questões de modo completo e fazer as relações que eram pedidas”, diz.

Foram cobrados os livros, Capitães da Areia, de Jorge Amado, Vidas Secas, de Graciliano Ramos, Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida, Viagens na minha terra, de Almeida Garrett, Til, de José de Alencar, Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis e Sentimento do Mundo, de Carlos Drummond de Andrade – os quatro títulos finais passaram a integrar a lista de leituras obrigatórias no último ano.

A questão de número 9, que relacionou trechos e características de Viagens na minha terra, de Almeida Garrett, e de Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, já era esperada. Ao menos é o que afirma André Valente, professor de português do Cursinho da Poli. “As digressões presentes nas duas obras é a principal relação feita pela própria crítica literária”, diz.

Apesar disso, Valente elogia a avaliação e reconhece que ela foi bastante abrangente e diversificada no que diz respeito a cobrança de conteúdos e textos adotados. “A prova seguiu a tendência dos grande vestibulares e cobrou não só gramática, mas interpretação de texto e literatura”, afirma.

Para Gregorio Krikorian, professor de matemática do Objetivo, a prova de exatas foi “trabalhosa” e “difícil”. “Esta foi uma avaliação destinada a alunos qualificados, independente da área escolhida”, afirma. O professor, no entanto, reconhece que os alunos de Humanas devem ter enfrentado algumas dificuldades. “Os conhecimentos cobrados não são imediatos, mas, sim, específicos de cada um dos temas abordados”, diz.

Calendário

Os candidatos a vagas de cursos com provas de habilidades específicas (que serão realizadas entre os dias 21 e 24 de janeiro) deverão consultar as orientações para a realização dos exames, como locais e horários, no site www.comvest.unicamp.br. Os cursos que exigem provas de habilidades específicas são Arquitetura e Urbanismo, Artes Cênicas, Artes Visuais, Dança e Música.

A chamada para a matrícula dos candidatos selecionados será divulgada no dia 4 de fevereiro.

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