Tarso repete Cristovam e pede recursos

Menos de dois meses após assumir o cargo, o ministro da Educação, Tarso Genro, repetiu seu antecessor, Cristovam Buarque, e reivindicou publicamente mais recursos para a pasta. Afirmou que "todos os ministérios, sem exceção, sentem falta de dinheiro".Em palestra nesta quinta-feira para cerca de mil prefeitos, na 7ª Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios, Tarso convocou os presentes a formarem um "bloco político" para pressionar não só o Congresso, mas o próprio governo, por mais verbas para o ensino."Os recursos públicos no Brasil são escassos para as tarefas que nós temos. Então, é óbvio que os recursos que vão para a educação são disputados também pela saúde, são disputados pela infra-estrutura", disse. "Temos que criar um grande movimento político capaz de dar sustentação à visão de que todos os outros setores da administração pública terão escasso sucesso se o centro desse processo não estiver na questão da educação."Sem desavençasMais tarde, Tarso negou qualquer desavença com a área econômica. "Se vocês querem uma crise com a equipe econômica, não é comigo. Tenho uma relação muito boa com a equipe econômica", disse ele, em entrevista. "Entendo que a Fazenda exerce uma função fundamental neste governo. Agora isso não me exime de dizer que a educação é fundamental, que ela precisa de mais recursos."O desgaste de Cristovam com o governo começou após as cobranças públicas do então ministro por mais verbas. Num dos episódios que ajudaram a selar sua saída, ele sugeriu a estudantes que protestassem na frente do Congresso. Deixou o cargo demitido por telefone.Tarso negou qualquer semelhança com o episódio. "Não vou chamar movimento de prefeitos orientando-os para pedir verbas para o governo. Não vou estimular mobilizações. Isso é a sociedade civil que tem que fazer."O orçamento do Ministério da Educação este ano é de R$ 17 bilhões, o quarto maior na Esplanada dos Ministérios.CobrançasEm seu 52º dia no cargo, Tarso ouviu cobranças dos prefeitos, até mesmo do PT, por maiores repasses para a merenda escolar e o Fundef - o fundo de desenvolvimento do ensino fundamental. O governo federal descumpre a lei do Fundef e paga menos do que devia a Estados e municípios.A exemplo de seus antecessores, o ministro vê seus projetos educacionais esbarrarem na falta de dinheiro. Foi o caso do reajuste no repasse da merenda, que tentou anunciar durante a marcha e acabou frustrado. "O governo sabe que tem que aumentar. O problema é poder aumentar e aumentar com responsabilidade, que é a orientação que o presidente Lula nos dá."Da mesma forma, a meta de alfabetizar 6 milhões de jovens e adultos este ano será reduzida. Segundo o ministro, o objetivo é melhorar a qualidade e eficiência do programa. Hoje há turmas em que até metade dos alunos chegam ao fim do curso sem saber ler e escrever.Tarso classificou como "utopia" a meta, lançada por Cristovam, de erradicar o analfabetismo até 2006. Mas disse que ela está mantida. "Sou da turma que acredita em utopias e que entende que devemos trabalhar escrupulosamente para realizá-las. Portanto, quando falo em utopia, falo numa utopia realista."

Agencia Estado,

18 de março de 2004 | 22h53

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