Tarso investiga contratos da gestão de Cristovam

Por suspeita de superfaturamento, o ministro da Educação, Tarso Genro, pediu à Controladoria-Geral da União (CGU) que faça auditoria nos contratos de prestação de serviços terceirizados no Ministério da Educação (MEC). A investigação atinge diretamente a gestão do ex-ministro e agora senador Cristovam Buarque (PT-DF), que ocupou o cargo de janeiro de 2003 a janeiro deste ano, quando foi substituído por Tarso.A suspeita evidenciou ainda mais as arestas entre o governo e Cristovam, que, ao deixar o cargo, saiu criticando publicamente o ministro da Casa Civil, José Dirceu.Reforma de R$ 120 milO ponto de partida para o pedido de auditoria, segundo Tarso, foi a decisão de reformar seu gabinete, no oitavo andar do MEC. Tarso conta ter ficado surpreso com o orçamento de cerca de R$ 120 mil apresentado pela empresa contratada pelo ministério.O serviço consistia basicamente em mudar a posição de divisórias, trocar luminárias e parte do forro. A simples troca de lugar de uma porta custaria R$ 3 mil.AlvoO pedido de investigação à CGU não especifica nenhuma empresa em particular nem o período de apuração. Vale, portanto, para todos os contratos em vigor, que teriam sido assinados em gestões anteriores.Diante da repercussão negativa que a divulgação do pedido de auditoria teve entre petistas, Tarso tentou contemporizar e até divulgou nota esclarecendo que a auditoria não tem como alvo a gestão de Cristovam, mas todos os contratos terceirizados.Apartamento?Não se trata de nenhuma investigação, nenhuma auditoria sobre a passagem do Cristovam e nem sobre o ministro anterior (Paulo Renato Souza, no governo Fernando Henrique). Eu tenho o direito, como ministro, de achar que um preço está caro e quero ver se esse contrato não poderia ter seu preço reduzido?, disse Tarso ao Estado.?Se efetivamente o preço de R$ 120 mil for mantido, é um absurdo. É o valor de um apartamento de dois dormitórios num bom bairro de Porto Alegre. Ou estou muito defasado nos preços ou então aqui em Brasília as coisas são muito caras.?E concluiu: ?Tenho certeza de que o Cristovam faria o mesmo se apresentassem para ele um orçamento como o que me apresentaram. O Paulo Renato também faria o mesmo.?Cristovam irritadoCristovam Buarque não escondeu o descontentamento com o fato de ter contratos de sua gestão investigados pelo sucessor. Ele ficou particularmente irritado com o trecho do pedido de auditoria encaminhado à CGU em que Tarso diz que ?esta pasta encontra-se sob nova administração?.?Enquanto estive à frente do MEC, a administração era do governo Lula?, afirmou, negando qualquer irregularidade e afirmando que manteve as empresas contratadas pelo ex-ministro Paulo Renato. ?Quando assumi o ministério, não achei necessário fazer auditoria, mas reconheço a legitimidade de o atual ministro fazer isso. Garanto que não tem nada (ilícito).?Investigação rotineiraA Controladoria-Geral da União informou, por sua assessoria de imprensa, que já realiza rotineiramente uma investigação sobre a gestão de todos os ministérios, incluindo os contratos terceirizados. A apuração deverá ser concluída no fim de abril.O MEC não divulgou o nome das empresas contratadas para serviços terceirizados.

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