Tarso diz que não muda linha do MEC; Cristovam ameniza críticas

O novo ministro da Educação, Tarso Genro, recebeu o cargo do ex-ministro Cristovam Buarque numa solenidade muito concorrida, nesta terça-feira, e afirmou que não pretende fazer uma gestão "em oposição" à de seu antecessor. "Será (uma administração) soldada nos alicerces que tu plantaste", afirmou, voltado paraCristovam. O ex-ministro, por sua vez, fez um discurso sem críticas ao governo.Tarso adiantou que, desde já, pretende conversar com ministros do governo passado, representantes de universidades, alunos etc, indistintamente de partidos, formação política ou governos a que serviram. Tarso observou que "não é tarefa fácil" substituir Cristovam, "cuja presença no MEC foi a de um grande sujeito político e transformador da educação brasileira".Logo após a solenidade de transmissaão do cargo, Tarso já recebia reitores. Uma de suas principais metas com o ministro, disse, será justamente a reforma universitária.QueixaCristovam diminuiu o tom de suas críticas ao governo, mas não deixou de se queixar de que o Ministério da Educação fica "imprensado" entre o governo federal, de cujas verbas depende, e governadores e prefeitos, estes últimos, segundo ele, sobrecarregados com o ensino básico.Ele insistiu em sua pregação de que é hora de investir na edudação. "Precisamos esperar 500 anos para ter um presidente como Lula e como seu partido", afirmou. "Não é posssível esperar por outro presidente com o sonho de que a educação será privilegiada. O momento é agora".Ele disse, também, que continua sendo de esquerda e que ser de esquerda "é derrubar a cerca que separa os com sapatos dos sem sapatos que vão para a escola; os muito educados dos analfabetos; os 10% mais ricos dos 50% mais pobres". Segundo ele, "não são desigualdades, são cercas"."Este País continua sendo capitania hereditária", criticou. "A educação é o caminho para derrubar as cercas que dividem o Brasil."Compareceram à cerimônia de transmissão de cargo os ministros da Secretaria Geral da Presidência da República, Luiz Dulci; do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rosseto; da Articulação Política, Aldo Rebelo; e da Corregedoria Geral da República, Waldir Píres; o governador do Ceará, Lúcio Alcântara (PSDB); os líderes do governo e do PMDB no Senado, senadores AloizioMercadante (PT-SP) e Renan Calheiros (AL), o ministro Nelson Jobim, do Supremo Tribunal Federal, deputados e senadores, entre outros.

Agencia Estado,

27 de janeiro de 2004 | 16h09

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