Tarso anuncia grupo para discutir reforma universitária

Ao assumir o cargo nesta terça-feira, o novo ministro da Educação, Tarso Genro, anunciou sua primeira medida: a criação de mais um grupo para discutir a reforma universitária, tema prioritário de sua gestão. Formado por auxiliares e presidido pelo próprio ministro, o grupo terá cinco integrantes e pretende coordenar a discussão do assunto entre governo e meio acadêmico. Tarso quer enviar a proposta de reforma ao Congresso até o fim do ano.O ministro disse que o projeto de reforma, preparado por um grupo com representantes de seis ministérios na gestão do antecessor, Cristovam Buarque, será apenas mais um elemento no debate, juntamente com as propostas da Andifes (Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições de Ensino Superior), do Andes (sindicato dos professores) e de intelectuais ligados à Universidade de São Paulo (USP), sob coordenação da professora Marilena Chauí. O trabalho preparado pelo grupo interministerial já havia sido enviado à Casa Civil da Presidência, para análise do ministro José Dirceu e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Após o aval de Lula e Dirceu, a idéia era abrir o debate com as universidades.Em seu discurso de posse, Tarso disse que não se deve degradar a universidade em nome do populismo do ingresso. Mas a universidade precisa passar por uma modernização radical que leve à abertura democrática do ingresso para as amplas camadas populares na universidade pública e no ensino superior.O presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Gustavo Petta, disse que a universidade ainda tem resquícios da ditadura militar. "A última reforma da universidade foi feita no período da ditadura, a reforma MEC e Usaid (agência do governo dos Estados Unidos)", disse Petta. "Foi muito conservadora, não democratizou a universidade. O movimento estudantil defendia eleição direta para reitor e conselho paritário desde aquela época e foi barrado pela ditadura. Agora, a gente vai defender com força isso." De acordo com Petta, a UNE defende o regime de cotas para egressos de escolas públicas. "A gente tem a bandeira de defender pelo menos 50% para alunos oriundos de escola pública", disse ele.

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