Suposto mentor de vazamento do Enem depõe para a PF em SP

Capoeirista e segurança, Felipe Pradella era o último suspeito que ainda não tinha sido encontrado pela polícia

Solange Spigliatti, da Central de Notícias e estadao.com.br,

05 Outubro 2009 | 13h24

O terceiro suspeito de envolvimento no vazamento da prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2009, Felipe Pradella, está depondo nesta segunda-feira, 5, para a Polícia Federal (PF) em São Paulo. Capoeirista e segurança, Pradella é o suposto mentor da fraude no Enem e teria atribuído o vazamento do exame a "alguém humilde e sem influência na empresa" - referindo-se à gráfica na qual estavam armazenados os documentos.

 

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A informação consta do depoimento à PF do empresário Luciano Rodrigues, dono de uma pizzaria nos Jardins, em São Paulo, que admitiu ter procurado jornalistas para comunicar sobre a violação do sigilo.

 

Segundo ele, Pradella teria feito esse comentário na noite de terça-feira da semana passada. O segurança estava acompanhado do DJ Gregory Camillo de Oliveira Craid. Eles procuraram Rodrigues, que trabalhou quase 15 anos na área comercial da Agência Estado, para pedir a ele que fizesse a ponte com a imprensa.

 

A PF suspeita que a citação a "alguém humilde" pode ser apenas um blefe do segurança. A PF procurava Pradella para interrogá-lo e promover o seu indiciamento pelo vazamento, o que já ocorreu com o dono da pizzaria e com Gregory Craid - ambos foram enquadrados com base nos artigos 325 e 327 do Código de Processo Penal por violação de sigilo funcional.

 

Denúncia

 

O exame foi cancelado pelo ministro Fernando Haddad (Educação) na madrugada da última quinta-feira, após o Estado ter alertado o MEC de que a prova havia vazado. Dois homens entraram em contato com a reportagem pedindo R$ 500 mil para vender as provas. Por razões éticas, o Estado de S. Paulo não compra informações.

 

A nova prova do Enem, informou o diretor do Inep, Reynaldo Fernandes, já está pronta – uma prova de reserva também está montada e guardada em um cofre do instituto, em Brasília.

 

O ministério está correndo contra o tempo, mas, mesmo assim, os técnicos avaliam que devem aplicar o teste só na segunda quinzena de novembro, porque precisam refazer toda a logística de impressão, embalagem e distribuição e também corrigir as falhas de segurança detectadas na estratégia do exame marcado para este fim de semana.

 

(Com Sergio Pompeu, Renata Cafardo e Fausto Macedo, de O Estado de S. Paulo)

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