Suecos decidem se assassino pode exercer a medicina

Cartas anônimas revelam que estudante havia sido condenado por um crime ligado a neonazistas

Lawrence K. Altman e Majsan Bostrom, The New York Times

25 de janeiro de 2008 | 16h05

O Instituto Karolinska de Estocolmo é famoso por escolher o ganhador do Prêmio Nobel de Medicina e, como uma das principais escolas de medicina do mundo, rejeita até mesmo estudantes que chegam com históricos escolares impecáveis.   Em meados de 2007, Karl Helge Hampus Svensson, de 31 anos, foi um dos 180 calouros admitidos, depois de obter as melhores notas no segundo grau e em cursos preparatórios online realizados ao longo de seis anos.   Mas, meses atrás, representantes do instituto receberam cartas anônimas dando conta de que  Svensson era um simpatizante do nazismo e que estava em liberdade condicional depois de ter sido condenado por assassinato em 2000. O crime foi descrito pela polícia como um homicídio motivado por preconceito.   Confirmada a informação, o instituto teve de decidir se Svensson poderia se formar médico. Não há meios legais para expulsar Svensson da escola, disse a médica Harriet Wallberg-Henriksson, presidente do Karolinska. As únicas opções legais para desligá-lo do curso seria se representasse um perigo para os demais estudantes ou se tivesse uma doença psiquiátrica.   Muitos médicos, estudantes e autoridades argumentam que Svensson jamais deveria obter permissão para exercer a medicina, por conta da confiança necessária à profissão; outros dizem que ele já cumpriu sua pena e deveria ter a autorização de tornar-se médico.   Na quinta-feira, 24, depois de analisar o caso por meses, o Karolinska expulsou Svensson, por uma tecnicalidade: ele teria falsificado o nome no histórico escolar do ensino médio.   Ao reexaminar o formulário de matrícula de Svensson, um funcionário do instituto notou que, no histórico apresentado, o aluno aparecia sob seu nome atual, adotado apenas a condenação por homicídio. O sobrenome original, Hellekant, não aparecia no registro.   Svensson não protestou ao ser informado da expulsão, disse Harriet. Ele não foi encontrado pela reportagem do New York Times.   Em 2000, Svensson, então com o nome de Hellekant, foi condenado por matar, a tiros, um sindicalista, Bjorn Soderberg, 41. Soderberg havia denunciado um amigo de Hellekant como neonazista, o que levara o colega a perder o emprego.   Na época do crime, Hellekant estava sob investigação do serviço de segurança Sueco, o equivalente sueco do FBI, por supostas atividades neonazistas. Mesmo condenado, ele sempre insistiu que não havia cometido o crime.   Depois de cumprir seis anos de uma pena de 11, Hellekant, agora com o nome de Svensson, foi liberado sob condicional em fevereiro de 2007. Na cadeia, ele havia tomado parte em diversos cursos online que estavam dentro dos altos padrões exigidos pelo Karolinska. Dois membros de um comitê de admissão entrevistaram-no separadamente, disse Harriet. Um era psiquiatra. Mas nenhum deles detectou nada de incomum, nem lhe pediu explicações sobre suas atividades nos anos anteriores.

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