GABRIELA BILÓ/ESTADÃO
GABRIELA BILÓ/ESTADÃO

STF recebe mandado de segurança contra MP que muda regras para eleger reitor

O mandado, de autoria do deputado Elias Vaz (PSB-GO), foi levado à corte nesta sexta-feira, 27. A relatoria do caso foi sorteada para a ministra Rosa Weber.

André Borges, O Estado de S.Paulo

27 de dezembro de 2019 | 17h13

BRASÍLIA – Alvo de uma série de questionamentos da comunidade acadêmica, a Medida Provisória (MP) 914, publicada nesta semana pelo presidente Jair Bolsonaro, agora é alvo de um mandado de segurança junto ao Supremo Tribunal Federal (STF).

O mandado, de autoria do deputado Elias Vaz (PSB-GO), foi levado à corte nesta sexta-feira, 27, com o objetivo de suspender os efeitos da MP 914, que trata do processo de escolha de reitores e diretores de universidades e institutos federais.

“Bolsonaro viola o artigo 207 da Constituição Federal, que prevê a autonomia das universidades. Além disso, não há urgência e relevância que justifiquem o ato da Presidência da República, banalizando a função das medidas provisórias”, afirma o deputado.

A relatoria do caso foi sorteada para a ministra Rosa Weber. Como o STF está em período de recesso, o pedido poderá ser analisado pelo presidente da corte, ministro Dias Toffoli, a quem cabe fazer despachos considerados urgentes neste período.

Se Toffoli entender que não há urgência, a concessão de medida liminar pode ser apreciado por Rosa Weber, a partir de fevereiro, quando o STF retoma regularmente as suas atividades.

“A Medida Provisória combatida é uma forma canhestra obtida pelo Presidente da República como instrumento de efetiva intervenção na autonomia administrativa e gerencial das instituições de ensino superior”, declara Elias Vaz, em seu pedido.  

Por ser MP, tem efeito imediato e validade de até 120 dias para ser analisada pelo Congresso. Como mostrou reportagem do Estado, o governo Jair Bolsonaro poderá nomear 24 dirigentes de universidades federais e nove de institutos federais de ensino em 2020, segundo o Ministério da Educação (MEC).

A pasta diz que o objetivo é reduzir a judicialização na nomeação de dirigentes - houve sete ações na Justiça sobre o tema este ano - e tornar o trâmite mais seguro e transparente. Reitores contestaram a medida.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.