STF abre debate sobre cotas raciais nas universidades

Ministro rejeitou pedido do DEM de revisão dos critérios de convocação das entidades para audiência

Agência Estado,

03 Março 2010 | 11h49

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski rejeitou nesta terça-feira, 2, um pedido do DEM para que fossem revistos os critérios de convocação das entidades que discutirão em audiência pública na Corte a adoção de políticas de cotas raciais para ingresso em universidades públicas. A audiência, que começa nesta quarta-feira e prossegue até sexta, foi convocada por Lewandowski, relator de dois processos que contestam a política de cotas, um deles apresentado pelo DEM.   Veja também: Gestores discutem manutenção de cotas para negros na UnB  O ministro discordou dos argumentos do partido de que não haveria isonomia na distribuição do tempo entre os favoráveis às cotas raciais e os contrários. Para o deputado federal Ronaldo Caiado (DEM-GO), que justificou o pedido de seu partido, Lewandowski convocou para a audiência um número maior de pessoas favoráveis às cotas do que as que se opõem. Porém, o ministro argumentou que representantes do governo e das universidades que falarão na audiência sejam incluídos no rol pessoas favoráveis às cotas raciais. Eles vão relatar experiências positivas e negativas da política de cotas, segundo Lewandowski. "Não há atentado à isonomia", concluiu o ministro. Esse não é o único ponto de tensão em torno da audiência. Caiado também tem acusado o ministro da Igualdade Racial, Edson Santos, de utilizar recursos públicos para mobilizar pessoas e grupos favoráveis à política de cotas. "O ministro está usando a máquina do Estado para convocar ONGs e pressionar o Judiciário", disse o deputado. "Ele não pode transformar a sua opinião em defesa das cotas em política de Estado." O ministro disse ontem que a preocupação do DEM é descabida. "Quem vem a Brasília para a audiência vem de acordo com suas possibilidades", afirmou. "Apenas enviamos um aviso aos gestores de promoção da igualdade racial sobre o evento no Supremo. Existem cerca de 600 órgãos de promoção da igualdade racial nos Estados e municípios. Não temos qualquer intenção de constranger o Supremo, que tem autonomia e independência para discutir os temas que lá chegam." Data O Supremo ainda não definiu a data para julgar as duas ações. Em uma delas o DEM questiona os critérios raciais utilizados desde 2004 pela Universidade de Brasília (UnB) para a admissão de estudantes pelo sistema de cotas. A outra foi apresentada por um estudante que se sentiu prejudicado pelo mesmo sistema adotado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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