Jonne Roriz/AE-27/3/2009
Jonne Roriz/AE-27/3/2009

SP reduz à metade bônus de professores

Queda do desemprenho de alunos no Saresp contribuiu para cálculo do índice de metas

Ocimara Balmant, Especial para o Estado, O Estado de S. Paulo

01 Abril 2011 | 10h42

A bonificação paga ontem pela Secretaria Estadual da Educação aos professores da rede pública - determinada pelo desempenho dos alunos - caiu pela metade em relação ao ano passado. O valor pago a 190 mil funcionários, de 3.778 escolas - 75% das 5.019 unidades estaduais - foi de R$ 340 milhões. Em 2010, foram concedidos R$ 655 milhões.

 

A diminuição do valor pago se deve, principalmente, à queda do desempenho dos alunos no Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp) e à grande rotatividade de professores.

 

Na comparação com o ano passado, o número de escolas que não receberam o bônus triplicou. Em 2010, 510 colégios (9,9% do total) ficaram sem a bonificação. Neste ano, foram 1.474 escolas, o que representa 29,1% da rede pública do Estado.

 

O cálculo do índice corresponde à soma de quanto cada uma das 5 mil escolas públicas de todo o Estado cumpriram de sua meta de desempenho (cada colégio tem uma meta específica com base na sua própria realidade), mais o adicional por qualidade, concedido às escolas que superam o que foi estipulado.

 

Desempenho. As escolas da extrema zona leste da capital têm as piores médias de desempenho de estudantes da cidade. A diretoria chamada Leste 2, que reúne 90 escolas de bairros como Itaim Paulista, Guaianases, Itaquera, Lajeado, São Miguel e Vila Curuçá, obteve 0,278 no índice de cumprimento de metas estabelecido pela Secretaria de Estado da Educação. A escala do índice vai de 0 a 1.

 

O índice é cerca de metade do que obteve uma área nobre da própria zona leste - bairros como Belém e Tatuapé conseguiram 0,469 - e bem abaixo da pontuação da Norte 2. Essa última diretoria congrega bairros como Jaçanã, Mandaqui e Tucuruvi, que alcançaram 0,6 - o melhor desempenho na capital. Os dados mostram que quanto mais periférico é o bairro, mais baixo é o rendimento dos estudantes.

 

Interior. O pior desempenho do Estado foi observado no interior. A diretoria de ensino de Itararé, a 280 km de São Paulo, conseguiu apenas 0,190. Sertãozinho também está no final da lista, com 0,201. Já a cidade de Taquaritinga, na região de Ribeirão obteve o melhor índice no cumprimento das metas: 0,823.

 

"A meta torna a escola mais objetiva, mas é preciso ver se o que pedem é plausível. O problema da evasão, por exemplo, não depende só dos professores", afirma Ocimar Avelarse, da Faculdade de Educação da USP.

 

PARA ENTENDER

O bônus por resultado é calculado pelo governo de acordo com a evolução do Índice de Desenvolvimento da Educação de São Paulo (Idesp) de cada uma das 5 mil escolas estaduais e proporcional ao resultado de cada unidade.

 

Se as metas são totalmente atingidas, as equipes escolares ganham o equivalente a 2,4 salários.

 

Se a escola atingiu 50% de sua meta, os funcionários recebem 50% do bônus (ou seja, 1,2 salário a mais) e assim consecutivamente. Para os que trabalham nas unidades que superaram a meta, o bônus pode chegar a 2,9 salários.

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