SP muda sistema e progressão continuada terá avaliações anuais

Depois da polêmica durante toda a campanha eleitorial, o reeleito governo do Estado anunciou hoje quais medidas serão adotadas para aprimorar a progressão continuada. O sistema adotado na rede estadual de ensino desde 1998, que permite a repetência apenas no fim dos três ciclos, será agora avaliado anualmente. A partir de 2003, todos os alunos passarão no fim do ano por provas do exame conhecido como Saresp, que também será reformulado. Segundo o secretário da Educação de São Paulo, Gabriel Chalita, a intenção não é reprovar estudantes e sim identificar eventuais problemas de aprendizagem."Na verdade, o conceito da progressão continuada é avaliar durante todo o ano", diz Chalita. O problema, no entanto, é que os professores não estão preparados para isso. "As avaliações podem ser feitas de vários modos: pelas artes, por trabalhos em grupo, por projetos", completa o secretário.Ele explica que a secretaria vai promover capacitação dos professores em todas as 89 diretorias de ensino do Estado -que congregam as escolas por regiões - para treiná-los melhorpara a progressão continuada. "Acredito que vamos chegar a umponto que o Saresp será dispensável."O exame, atualmente elaborado pela Fundação Vunesp a pedido da secretaria, é aplicado desde 1996 a estudantes da rede por amostragem. A cada ano eram escolhidas séries para seremavaliadas. Em fevereiro deste ano, o Saresp - que tem apenasquestões de Português - foi usado pela primeira vez para reprovar alunos que terminaram os ciclos (4.ª e 8.ª séries). Pais de alunos e o sindicato dos professores condenaram a iniciativa. Para eles, a repetência e a aprovação deveriam ser decididas dentro das escolas e não em um teste feito pela secretaria.ConjuntoChalita garante que o Saresp não será mais usado para reprovar alunos, mesmo no fim dos ciclos. "A repetência será uma decisão dos conselhos de classe." Ele pretende reestruturar a prova, deixando-a mais parecida ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que mede habilidades e competência, sem divisão por disciplinas. Além disso, o resultado, que era dado por amostragem, será agora individual."Poderemos identifiicar se uma escola específica está com problemas para alfabetizar", diz. E é aí, segundo ele, que a capacitação também poderá contribuir. A diretoria de ensino,responsável pela escola, deverá ajudar os professores a solucionar os problemas de ensino e aprendizagem. Até agora, as capacitações eram feitas de maneira centralizada pela Secretaria da Educação. Professores de várias regiões tinham de se deslocarpara áreas determinadas, onde participariam de aulas de educação continuada.A preparação falha ou insuficiente dos professores sempre foi uma das principais críticas de educadores com relação à progressão continuada no Estado. Casos de analfabetismo emcrianças do ensino fundamental ajudaram a ampliar a polêmica em torno do sistema, que foi um dos principais alvos dos concorrentes de Geraldo Alckmin ao governo. A progressãocontinuada foi posta em prática na gestão da secretária Rose Neubauer, que deixou o cargo este ano.

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