Celso Júnior/AE
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'Sorte é que eram amadores', diz Haddad sobre fraude no Enem

Ministro também se diz 'aliviado' por prova ainda não ter ocorrido e crê que punição deve acontecer em breve

estadao.com.br,

01 Outubro 2009 | 07h45

Em entrevista à radio Eldorado na manhã desta quinta-feira, 1º, o ministro da Educação Fernando Haddad falou sobre o vazamento da prova do Enem, denunciado pelo jornal O Estado de S. Paulo.

 

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"A nossa sorte é que as pessoas que cometeram o crime de roubar um exemplar da prova eram pessoas amadoras, que levaram ao conhecimento do jornal O Estado de S. Paulo o fato de terem subtraído esse exemplar e tentarem executar a venda para o jornal', afirmou o ministro. O Enem estava previsto para acontecer nos dias 3 e 4 e teve sua execução cancelada.

 

Segundo o ministro, depois que o jornal entrou em contato com o ministério para que fosse atestada a veracidade do exemplar, uma equipe do MEC foi até o cofre do INEP, órgão responsável pela execução da prova do Enem. "Por volta da 1h da manhã, recebi ligação do presidente do Inep de que havia fortes indícios de que poderia ser uma prova do Enem", disse Haddad. "Diante desse fato, nós não temos como aplicar essa prova", completou.

 

De acordo com ele, o ministério tem outros jogos já elaborados para que possam ser impressos num regime de segurança diferente do que foi montado dessa vez. Haddad afirmou ainda que será aberta uma linha de investigação com a Polícia Federal. "Eu vou falar agora pela manhã com o ministro Tarso Genro (Justiça) que está nos apoiando nesse processo todo. Eu tenho a esperança que essas pessoas sejam rapidamente identificadas, até porque foram muito amadoras no contato com os jornalistas do jornal O Estado de S.Paulo".

 

'Numa outra linha, vamos tomar as providências para que se remarque o dia da prova, porque felizmente isso foi descoberto antes da aplicação da prova. Você já imaginou se os alunos tivessem feito a prova e descoberto na segunda ou na terça-feira que os resultados não poderiam ser utilizados?', perguntou.

 

Segundo o ministro, o objetivo agora é apurar o ocorrido com o consórcio vencedor da licitação, para fazer um diagnóstico com base nas informações prestadas pelo jornal. "O jornal nos deu elementos muito importantes para a identificação dos criminosos. Então nós temos que saber exatamente se foi na fase de impressão, de manuseio, que houve o furto desse exemplar. E aí reprogramar o exame para que os resultados sejam divulgados em janeiro como previsto", afirmou.

 

Haddad descartou ainda a possibilidade de envolvimento de pessoas do Inep na fraude. "É importante frisar que no Inep não existe a prova do Enem, não existe prova impressa no Inep. A impressão é feita na gráfica. Então, com 100% de segurança foi a partir deste momento em que ocorreu a subtração da prova. Não há como alguém ter a prova sem ela ter sido impressa como foi o caso. Porque a jornalista teve contato com a prova impressa. E isso, no Inep, ninguém tem acesso. Como ela manuseou uma prova impressa, você tem só duas possibilidades: na gráfica ou no manuseio para o empacotamento", explicou.

 

O ministro disse ainda que "todo tipo de concurso público está sujeito a esse tipo de fraude, inclusive os vestibulares. É muito comum a atuação de quadrilhas nos vestibulares. Hoje em dia também há uma tecnologia de punição dos responsáveis. Se consegue chegar às pessoas que cometeram o delito. O Enem está na 12ª edição e nunca houve sequer menção a um problema assim. O máximo que houve foi uma prova falsa, o sujeito fez uma prova e disse que era do Enem". Haddad acrescentou ainda que "a segurança do Enem é equivalente à de um banco. Policiais armados, gente fiscalizando, vigiando 24 horas por dia, mas às vezes alguém consegue burlar a segurança".

 

Aos estudantes, o ministro aconselhou "usar o tempo para continuar se preparando para os vestibulares, para o próprio Enem, da mesma forma que fariam em qualquer outra circunstância. Vamos ter mais umas seis semanas pela frente. É frequentar aula, atualizar-se nos jornais, continuar aplicado na leitura, manter o ritmo de trabalho e esperar a remarcação das provas".

 

(Atualizada às 12h30)

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