'Sofremos maior ataque desde a Ditadura', diz diretor do Sintusp

Protesto de funcionários grevistas nesta quarta-feira terminou em confronto com a Tropa de Choque da Polícia Militar

Barbara Ferreira Santos, O Estado de S. Paulo

20 Agosto 2014 | 17h48

SÃO PAULO - Magno de Carvalho, diretor do Sindicato de trabalhadores da USP (Sintusp) afirmou, em coletiva de imprensa na sede do sindicato na tarde desta quarta-feira,  20, que o confronto entre a Polícia Militar e os grevistas foi "uma das maiores repressões da história da universidade". "Nós sofremos o nosso maior ataque desde a Ditadura Militar. Isso (repressão da PM) nos lembrou o tempo da ditadura."

O protesto dos funcionários grevistas da Universidade de São Paulo (USP) terminou em confronto com a Tropa de Choque da Polícia Militar. Bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha foram utilizadas para impedir que os três portões da Cidade Universitária, no Butantã, zona oeste da capital paulista, ficassem fechados na manhã desta quarta-feira.

Em nota, a PM afirmou que atendeu a solicitação do reitor, Marco Antonio Zago, e atuou para liberar e garantir o acesso à universidade. Disse ainda que tentou negociar a desobstrução das entradas durante 30 minutos com os manifestantes, mas apenas um dos três portões teria sido liberado espontaneamente.

Os diretores do Sintusp afirmaram que desde março entregaram as reivindicações que motivaram a greve pessoalmente ao reitor em duas reuniões.  "Em nenhuma tivemos resposta", explicou Carvalho. Segundo ele, depois do início da greve foram feitos pedidos de negociação com a reitoria, mas que nunca foram atendidos. 

Marcela Carbone, diretora do Diretório Central dos Estudantes (DCE), afirmou que em abril o DCE protocolo uma carta pedindo reuniões com a reitoria e que também não houve retorno. Ela também criticou a atuação da PM durante o "trancaço".  "O que a gente viveu não foi nada mais nada menos que um escândalo. Foi a PM jogando bala de borracha e bomba em funcionários, alunos e professores que queriam debater sobre a universidade", afirmou Marcela. 

Tanto Sintusp quanto DCE reiteraram que o plano apresentado pelo reitor na semana passada a diretores de unidades - que inclui o plano de demissão voluntária, a transferência de dois hospitais universitários para o Estado e redução de jornada de servidores técnico administrativos com consequente redução salarial - vai promover o 'sucateamento' e a 'perda de qualidade' da universidade.   

Segundo Bruno Rocha, diretor do Sintusp, em uma a reunião no Tribunal Regional do Trabalho entre reitoria e grevistas, que acontece na tarde desta quarta-feira, a juíza questionou a questão do funcionamento do hospital universitário, propôs a abertura de negociação e disse que "não há justificativa legal para o corte de salários". Os funcionários comemoraram o pedido de abertura de negociação e gritaram, em coro, "Não tem arrego" e "Fora Zago".

Magno de Carvalho afirmou que o funcionamento em escala mínima do HU está mantido. Ele afirmou também que, na reunião, a reitoria apresentou boletins de ocorrência contra a greve."(A reitoria) estava tentando tumultuar a reunião. Não vamos nos intimidar", afirmou. "A justiça está mandando negociar. Pode ser que o tiro deles (reitoria) saia pela culatra", falou, em referência ao fato de que a reunião foi marcada no TRT a pedido da reitoria, depois de tentativas de negociação negadas pela administração da universidade.  

As propostas que saírem da negociação vão ser debatidas pelos funcionários em uma assembleia nesta quinta-feira, 21, às 10h, na frente do prédio da reitoria, na Cidade Universitária, na zona oeste. 

Reivindicações. Os funcionários são contrários ao reajuste zero de salários de servidores técnico-administrativos e de professores da USP. A decisão da instituição de não reajustar o salário foi tomada em conjunto com as outras duas universidades estaduais - Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Universidade Estadual Paulista (Unesp) -, o que motivou o início da greve de funcionários e docentes nas três instituições, no dia 27 de maio. O pedido dos grevistas é de reajuste de 9,78%. As três instituições afirmam que não têm condições orçamentárias para fazer o reajuste. 

Os funcionários também protestam contra o corte de salários de grevistas da USP durante a greve. Segundo Carvalho, funcionários técnico-administrativos de todas as unidades da universidade tiveram salários cortados. "São milhares de funcionários, mas não temos o dado de quantos precisamente."

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