José Patrício/AE
José Patrício/AE

Sócrates, Platão e muitas dúvidas

Alunos e cursinhos criticam Unesp por incluir Filosofia no vestibular sem ter sugerido proposta de estudo concreta

Carolina Stanisci, Especial para o Estado, O Estado de S. Paulo

30 Agosto 2010 | 22h45

Depois de a Unesp ter incluído, pela primeira vez, questões de filosofia no processo seletivo do meio do ano, vestibulandos ganharam uma preocupação a mais: como se preparar para uma disciplina tão espinhosa que até pouco tempo atrás nem era obrigatória na rede pública de São Paulo?

 

“No meu colégio, a gente não teve essa matéria. No 1.º ano aprendemos história da arte, mas não tem nada a ver”, critica Ana Helena Teles, de 18 anos, que vai disputar vaga em Direito na Unesp e ainda não sabe como lidar com a novidade.

 

A candidata, que faz o cursinho Etapa e estudou em escola técnica da Fundação Getulio Vargas em São Paulo, pensa em se preparar por conta própria, mas não tem um plano definido: “Estou pensando em ir para a biblioteca ler alguns textos.”

 

O Etapa, como outros cursinhos de São Paulo, não incluiu na grade aulas específicas de filosofia. Só terá algumas palestras especiais para os vestibulandos da Unesp.

 

O coordenador de Humanidades do cursinho, Rogerio Forastieri, que preparou material para os estudantes, critica a entrada da disciplina no vestibular. “No manual, eles remetem os alunos à proposta curricular do ensino de filosofia no Estado de São Paulo. E lá os tópicos são genéricos, como Imagem Crítica da Filosofia; O Intelecto: Empirismo e Criticismo e História da Filosofia: Instrumentos de Pesquisa.”

 

O Objetivo também não terá aulas da disciplina para os vestibulandos. “Achávamos que as questões seriam mais genéricas, dentro das áreas de história e geografia”, diz o coordenador de Filosofia e Sociologia do colégio, José Maurício Mazzucco.

 

A coordenadora acadêmica do vestibular da Unesp, Tania Cristina Arantes Macedo de Azevedo, justifica a inclusão do tema como um critério extra para selecionar os melhores candidatos. “Queremos um aluno que esteja apto a desenvolver pesquisa e extensão. E, para isso, a reflexão é fundamental.”

 

Mais interação. O coordenador de Pesquisa do vestibular da Unicamp, Mauricio Kleinke, descarta a hipótese de incluir questões pontuais de filosofia nos exames de seleção da universidade. “Queremos menos candidatos com conteúdo enciclopédico e mais um candidato capaz de interagir, criar.”

 

A Fuvest também não tem planos nesse sentido. “No vestibular não é necessário ter questões de todas as disciplinas dadas no ensino médio”, justifica a coordenadora da fundação, Maria Tereza Fraga Rocco.

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