Sobram 45% das vagas em universidade federal

Baixo número de matrículas após duas seleções surpreendeu o MEC; inscrição acaba na quarta

Luciana Alvarez,

02 Março 2010 | 04h08

A terceira e última etapa de inscrições no Sistema de Seleção Unificada (Sisu) para instituições federais de ensino superior começou na segunda-feira, 1º,  com quase metade das vagas ainda disponíveis. Das 47,9 mil oferecidas, sobraram 21.701 vagas (45,3% do total) após duas rodadas de matrículas em todas as 51 instituições que participam da seleção.

As inscrições no site vão até quarta-feira, 3, e os resultados serão divulgados na sexta-feira. Pela primeira vez a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é usada como forma de seleção unificada para parte das universidades federais.

O Ministério da Educação atribuiu o fenômeno à falta de compromisso social de muitos estudantes, que teriam feito a inscrição no sistema online mesmo sem a intenção de se matricular nos cursos. Segundo o ministério, o baixo índice de matrículas confirmadas surpreendeu, pois o mesmo sistema é utilizado há alguns anos no Programa Universidade Para Todos (ProUni) sem que tivesse havido um número significativo de inscrições não confirmadas.

O MEC ressaltou, porém, que não haverá vagas ociosas porque foi instituída uma lista de espera após a terceira etapa. Candidatos não aprovados ao fim desta fase podem confirmar que mantêm o interesse na vaga que disputaram e entrar para a lista de espera.

Mesmo com poucos alunos matriculados, a maioria das instituições decidiu manter o calendário acadêmico. As aulas para o curso de Educação Física da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) começaram oficialmente ontem no câmpus de Santos com apenas 12 estudantes matriculados - ainda há 36 vagas abertas.

Na Faculdade de Direito da Universidade Federal de Pelotas, no entanto, 82% das vagas não foram preenchidas e o início das atividades foi adiado em duas semanas (mais informações nesta página).

Na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), a que tem maior número de vagas ainda disponíveis, a falta de estudantes em alguns cursos não alterou o início das aulas, marcado para amanhã. "Temos o período de recepção de calouros, depois apresentação da instituição, aula magna. Não haverá nenhum prejuízo de conteúdo", afirmou a reitora da UFMT, Maria Lucia Cavalli Neder.

Em termos gerais, a universidade conta hoje com 53% das vagas preenchidas. Em Enfermagem, das 265 vagas oferecidas, 207 não foram preenchidas até agora - o que equivale a 78% do total.

"Não posso dizer que é uma surpresa, mas esperávamos um número um pouco maior", afirmou a reitora.

Segundo Maria Lucia, grande parte dos estudantes de fora do Estado que se inscreveram no Sisu não compareceu para efetivar a matrícula, especialmente nos câmpus do interior. "Diferentemente do que era esperado por muitos, não ocorreu uma "invasão" de gente de fora", disse. De acordo com suas previsões, a UFMT vai manter a média de 20% de estudantes de outros Estados.

Para Maria Helena Guimarães de Castro, ex-presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), a falta de matrículas em um número tão grande de cursos pode ter outras razões além da desistência por causa da distância. "Há cursos novos, muitas vezes sem demanda."

"Os alunos também sofreram com os atropelos do processo, tiveram de rever o que fazer a cada etapa", avalia Maria Helena. "Muitos, por exemplo, podem ter preferido uma bolsa do ProUni."

Processo

Durante todo o processo do novo Enem, os números ficaram aquém do esperado pelo próprio MEC. Inicialmente, o ministério projetava 7 milhões de inscritos na prova, mas 4,1 milhões se inscreveram.

Com o vazamento do exame, denunciado pelo Estado em outubro, e o adiamento da prova, muitas instituições federais desistiram de usar a nota do Enem. O resultado foi uma abstenção recorde de 37,7%; só 2,6 milhões fizeram a prova.

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