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Sobra habilidade, mas falta equilíbrio para a geração Y

Jovens têm currículos repletos de cursos, fluência em idiomas e vivência no exterior, porém não lidam bem com frustrações

Flavia Alemi, Especial para O Estado

28 Abril 2015 | 05h00

Privilégios, ansiedade e frustração. Essa combinação resume um pouco os traços da atual leva de jovens que buscam se consolidar no mercado de trabalho - a geração Y. Mesmo com currículos repletos de cursos renomados, fluência em diversos idiomas e vivência no exterior, ainda há um fator determinante para o sucesso profissional que falta a essa turma: equilíbrio emocional.

Acostumados a receber reforços positivos dos pais, os jovens dessa geração têm dificuldade de lidar com decepções - tanto na vida pessoal quanto na profissional. Segundo o consultor Sidnei Oliveira, especialista na geração Y, o jovem adulto de hoje foi criado de uma forma tão protegida e cheia de privilégios que não acumula "cicatrizes".

"Essa geração entra no mercado com uma bagagem acadêmica maior em relação às outras. Porém, na hora de interagir com as pessoas, ela trava", diz Oliveira. "Quando são pressionados pelo chefe, acabam não suportando e, de certa forma, 'quebram'. Costumo chamar esses jovens de 'geração cristal' por isso", diz.

A maior decepção da geração Y, segundo Oliveira, é se deparar com trabalhos burocráticos. "Como consultor, costumo ouvir declarações como 'só quero trabalhar naquilo que gosto'. Os jovens se esquecem das responsabilidades de qualquer carreira: por exemplo, se você quer ser jogador de futebol, lembre-se de que terá de acordar cedo para os treinos, tomar cuidado com a alimentação, participar de eventos de patrocinadores. Não é só jogar futebol."

O PODER DO 'NÃO'

Para Iracema Andrade, diretora técnica da Viva Talentos, consultoria responsável por processos seletivos de estágio e trainee de grandes empresas, é importante que esse jovem busque se aprimorar enquanto estiver cursando a graduação. Segundo ela, o estudante não precisa ir longe para buscar esse desenvolvimento emocional. “As próprias universidades oferecem atividades que podem ajudar, como empresas júnior, diretórios acadêmicos e jornais. São ambientes nos quais ele vivencia dificuldades, vê cenários diferentes e aprende a se colocar no lugar do outro”, afirma.

Para tentar evitar que os jovens se decepcionem no futuro, o papel dos pais adquire, cada vez mais, um valor primordial. "Ao longo da criação, é preciso impor limites e dizer alguns 'nãos' de vez em quando. Isso já faz com que a criança desenvolva a habilidade de lidar com decepções. Quando for mais velha, ela não terá todas as suas necessidades satisfeitas no mundo corporativo e saberá contornar essas situações com mais facilidade", aponta Iracema.

AUSÊNCIA INVOLUNTÁRIA

Marcelo Yamin, da consultoria YCoach, ainda revela um dado notável. Sua empresa fez um monitoramento com 102 jovens paulistanos, das classes A e B, entre 18 e 35 anos, e ouviu de 65% dos jovens que eles gostariam de receber ajuda dos pais. "Como os pais estão comprometidos com as próprias carreiras, há uma ausência involuntária e eles querem acreditar que os filhos estão bem resolvidos", explica.

AMADURECIMENTO DESDE A ESCOLA

Segundo Marcelo Yamin, da consultoria YCoach, o atual modelo educacional não contribui para geração Y adquirir esse equilíbrio emocional. "Falta iniciativa das escolas em buscar um programa inclusivo para ajudar no amadurecimento vocacional e profissional desse jovem", explica. "Desde o Ensino Médio é preciso prepará-lo para o mercado de trabalho por meio de trabalhos de autoconhecimento que ajudam a entender as habilidades de cada um", completa.

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