Isabela Palhares/Estadão
Isabela Palhares/Estadão

Só uma Etec segue ocupada em São Paulo

Governo estadual atendeu às reivindicações por refeição; reintegrações sem mandado judicial facilitaram saída dos alunos

O Estado de S.Paulo

16 Maio 2016 | 09h47

SÃO PAULO - Os estudantes que ocupavam as Escolas Técnicas Estaduais (Etecs) deixaram quase todos os prédios até este fim de semana.  Entre a quinta-feira, 12, e domingo, 15, 14,6 mil alunos retomaram a rotina escolar após a desocupação de 12 unidades no Estado. Nesta segunda-feira, 16, o Centro Paula Souza, que administra os colégios, disse que só uma unidade segue tomada pelos estudantes: a Abdias do Nascimento, em Paraisópolis, zona sul da capital.

A saída das ocupações teve início na última sexta-feira, 13, depois de o governo Geraldo Alckmin (PSDB) adotar nova estratégia e realizar quatro reintegrações de posse sem mandado judicial. Quase 100 alunos, a maioria menor de idade,  foram conduzidos às delegacias para prestar esclarecimentos, acusados de terem depredado as unidades. 

Além disso, a principal pauta dos estudantes - a substituição da chamada "merenda seca", com bolachas e suco, por refeição - foi atendida pelo governo estadual. Há duas semanas, o governo anunciou que faria uma consulta às escolas para os alunos decidirem se queriam substituir o lanche por marmitex. A mudança passaria a valer em agosto. 

Outra dificuldade dos estudantes foi enfrentar um movimento de pais e estudantes que, incentivados pela direção das unidades, eram contrários às ocupações. Na Etec Basilides de Godoy, na Vila Leopoldina, na zona oeste, por exemplo, a Polícia Militar acompanhou toda a ação de fora. 

Até a sexta-feira, o Centro Paula Souza afirmou ter calculado prejuízo ao patrimônio de R$ 120 mil em nove das unidades desocupadas. A autarquia alega que os ocupantes danificaram mobiliário, central de telefonia, circuito de câmeras e que discos rígidos dos computadores foram furtados. Na Escola Técnica de São Paulo (Etesp), no Bom Retiro, região central, primeira Etec ocupada, o órgão contabilizou "portas arrombadas, fechaduras e móveis danificados, estragos na alvenaria, encanamento e até em materiais usados pelos alunos".

Reposição. A direção das unidades que estavam ocupadas já discute a reposição das aulas perdidas, que deve ser feita com a extensão do horário durante a semana, aos sábados ou utilizando o período do recesso escolar, em julho.

Na Etec Zona Sul, no Jardim São Luís, onde houve dano a fechaduras danificadas, vidros e janelas carimbadas e desaparecimento do estoque de merenda, as aulas só serão retomadas nesta terça-feira, 17. Já a Etec de Artes, em Santana, na zona norte, ainda está sendo organizada e retoma sua rotina também nesta terça-feira.

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