Só 7% das questões da prova do Enem cancelada eram difíceis

Professores de cursinho analisaram respostas de teste aplicado a 15 mil alunos com a prova vazada em outubro

Elida Oliveira e Paulo Saldaña, Especial para o Estado

04 Dezembro 2009 | 09h23

Os 4,1 milhões de estudantes que farão o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) amanhã e domingo devem encontrar uma prova de nível fácil a médio. A conclusão foi tirada após a correção do exame cancelado em outubro e aplicado a 15 mil alunos de escolas públicas.   Veja também: Ministro da Educação diz que segurança do Enem será reforçada Estudante judeu não poderá prestar o Enem em data alternativa   A segurança da nova gráfica, a RR Donnelley  Teste seu conhecimento no simulado do Enem Nenhuma das 180 questões da prova vazada é considerada muito difícil. No total, há 14 questões difíceis – 7,78% da prova. A maior parte das questões está entre médias, 63,34%, e fáceis, 25%. Em uma escala que vai de -4 (mais fácil) a 4 (difícil), a que mais se aproximou do alto da classificação foi a questão 89 de Matemática, sobre geometria, com pontuação de 1,56. A aplicação e correção pelo mesmo conjunto de modelos matemáticos que o Ministério da Educação vai usar no Enem, chamado de Teoria da Resposta ao Item (TRI), foram realizados pelo Sistema COC de Ensino.   Os temas que dominaram a prova cancelada foram meio ambiente, sustentabilidade e poluição, com 17 questões – duas delas falavam da Amazônia. Água também foi frequente: 15 questões. Especialistas ouvidos pelo Estado dizem que o padrão de dificuldade deve se repetir neste fim de semana. Isso porque a nova prova será formulada a partir de um banco de 1,8 mil questões pré-testadas, do qual também saiu a prova anterior. O MEC foi procurado para comentar, mas não respondeu até o fechamento da edição.  Se o prenúncio de uma prova fácil tranquiliza os estudantes, a característica pode trazer outros problemas, como dificultar sua utilização como vestibular – status que o Enem ganhou este ano para mais de 25 universidades federais. "Nas carreiras de grande competição era importante que tivesse questões com grau de dificuldade mais altos, para diferenciar concorrentes bem preparados", explica o coordenador pedagógico do COC, Arnaldo William Pinto. "Isso é um alto risco para usar a prova como vestibular."   O professor do Instituto de Matemática da USP Antonio Luiz Pereira também condena a baixa exigência do exame e concorda que a escolha entre os candidatos bem preparados pode ser "quase aleatória". "As pessoas que se preparam muito bem estariam todas próximas da nota máxima", diz ele, que ainda critica a formulação das questões de exatas.   Apesar disso, Matemática e suas Tecnologias teve oito questões difíceis, o maior índice entre as áreas que compõem a prova. De acordo com a correção do COC, a questão mais fácil foi a 3 (-2,67) de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias. O enunciado dizia que a maioria das declarações de imposto de renda é realizada pela internet e, ao fim, perguntava o que isso significa.   O linguista Sírio Possenti, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), critica não só a questão, mas toda a área de linguagens. "A prova é desigual, mesmo que cubra vários temas. Nessa questão, não sei como o aluno seria avaliado."   Depois que a prova foi divulgada, a análise geral era que o exame estava mais fácil do que o esperado. "Achei mais simples do que as provas anteriores", diz o supervisor de Geografia do Anglo, Reinaldo Scalzaretto. Para o professor de História do Cursinho da Poli, Elias Feitosa de Amorim Júnior, "no que diz respeito a conteúdo, não foi algo fechado como em outros vestibulares." A vestibulanda de veterinária Tays Araujo Camilo, de 18 anos, achou a prova fácil. "Acredito que não mudará o nível nem os temas, só os dados."

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