Gabriela Bilo/Estadão
Gabriela Bilo/Estadão

Só 6 dos 20 cursos top da USP vão usar Enem

Se proposta for aceita, 241 das 2.625 vagas mais difíceis seriam disputadas pelo exame

Victor Vieira, O Estado de S. Paulo

06 Junho 2015 | 03h00

Atualizado no domingo, 8 de junho. 

Das 20 carreiras com maior nota de corte na Universidade de São Paulo (USP) – 54 a 72 pontos de 90 possíveis –, apenas seis terão reserva de vagas para candidatos do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), segundo proposta da Pró-Reitoria de Graduação. Medicina e Psicologia, na capital e em Ribeirão Preto, Direito e Engenharias na Escola Politécnica são as carreiras de ponta para as quais o Enem foi sugerido.

Para valer, a mudança no vestibular ainda depende do aval das faculdades e dos conselhos superiores da instituição. O documento em que a pró-reitoria recomenda uma proporção de vagas pelo exame para cada curso foi obtido pelo Estado. A ideia da USP é que essas cadeiras sejam ofertadas só para candidatos da rede pública pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), plataforma digital que reúne vagas do ensino superior público. A fatia de vagas reservadas deve variar para cada curso e a USP prevê a mudança já para este vestibular.

A meta da universidade é ter, até 2018, metade de alunos de escola pública, com 35% de pretos, pardos e indígenas (PPI). O uso do Enem é uma aposta para cumprir o objetivo. A USP não usa cotas, mas bônus no vestibular para candidatos de rede pública e PPI. A nova proposta, com o Enem, não prevê recorte de renda ou classe.

Caso a sugestão seja aceita, 241 das 2.625 vagas das carreiras mais difíceis seriam disputadas pelo exame federal. É justamente nos cursos de elite em que a USP enfrenta maior dificuldade para promover inclusão. 

Das graduações top, a “cota” máxima via Enem é de 20% do total de cadeiras, caso da Faculdade de Direito da capital. Na graduação de Medicina, em São Paulo, a taxa é de 14,3%; e na Medicina de Ribeirão Preto é de 15%. Nos cursos da Escola Politécnica, a proposta é de 10%. A Escola Politécnica informou, no entanto, que após ampla discussão interna, não aprovou o uso do Sisu. 

As faculdades têm até o dia 12 para debater e responder à pró-reitoria. Devem indicar quais notas mínimas no Enem seriam usadas. As discussões nos conselhos superiores serão feitas até o fim deste mês.

Na média da USP, 14,9% das 11.057 vagas seriam reservadas. Das 42 unidades, 28 já se mostraram favoráveis ao Enem. Para definir a proporção de vagas, a pró-reitoria considerou a concorrência na Fuvest, a taxa de inclusão de alunos de escola pública e o interesse da unidade.

Divisão. A Escola de Comunicações e Artes (ECA) e a Escola de Engenharia de São Carlos, que abrigam nove das carreiras mais disputadas, optaram por manter como forma de ingresso apenas a Fuvest. As unidades poderão rediscutir o tema neste mês. Para cursos com prova específica, como Arquitetura, o Enem foi descartado.

As Faculdades de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) e de Odontologia, de acordo com o documento, são outras que rejeitaram o exame. A licenciatura em Ciências Exatas, ministrada em São Carlos, tem a maior cota via Enem: 50%. Procurada, a USP não comentou a proposta.

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