TV Estadão | 04.06.2015
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Metade do ‘top 10’ registra baixa permanência

Novo indicador do governo mede a proporção de participantes do Enem que fizeram todo o ensino médio na mesma escola

Isabela Palhares, Lígia Formenti e Victor Vieira, O Estado de S. Paulo

05 Agosto 2015 | 11h30

Atualizada às 23h50

SÃO PAULO - Em cinco das dez melhores escolas no Enem 2014, 20% ou menos dos alunos cursaram todo o ensino médio no mesmo colégio. Isso significa que metade das escolas no topo do ranking não trabalhou com a maioria dos estudantes ao longo dos três anos da etapa. Algumas, segundo especialistas, adotam a prática de trazer alunos de alto rendimento no 3.º ano do ensino médio para unidades menores, com o objetivo de elevar o desempenho no ranking. 

Esse cruzamento é possível por meio do novo indicador de continuidade dos alunos na mesma escola, divulgado pelo Inep neste ano. Esse é mais um esforço do órgão de contextualizar os resultados e permitir comparações mais adequadas. Neste ano, o órgão também divulgou, com as notas, as taxas de aprovação, reprovação e abandono escolar. Clique aqui para conferir as notas de todas as escolas do País.

Colégios com índice de permanência muito baixo alcançaram nota média de 545 pontos nas provas objetivas. Naqueles com índice de permanência alto, a média foi de 508 - a diferença é de 37 pontos.

No top 10, a predominância também é de escolas pequenas: nove delas têm menos de 60 alunos. A exceção é o Colégio Bernoulli, de Belo Horizonte, que tinha quase 300 alunos no fim do ensino médio. Em relação à edição anterior, a taxa de pequenos cresceu: eram cinco com menos de 60 estudantes. 

Líder do ranking geral pelo quarto ano consecutivo, o Objetivo Integrado, na Avenida Paulista, região central, teve 42 participantes no Enem 2014. A unidade campeã, que reúne alunos de alto desempenho, teve taxa de permanência intermediária: de 60% a 80% dos alunos fizeram todo o ensino médio ali. 

No mesmo endereço há outra escola Objetivo, em que 314 alunos fizeram o Enem 2014. Essa unidade ficou no 610.º lugar. 

Novatos. A segunda colocada deste ano é uma novata, que segue o mesmo modelo do Objetivo Integrado. Criado no ano passado, o Colégio de Aplicação Farias Brito, em Fortaleza, teve 44 candidatos no Enem. 

Como esse grupo foi formado por alunos de outras unidades da Farias Brito, a taxa de permanência está na faixa mais baixa (menos de 20% dos alunos cursaram toda a etapa na escola). Já escolas maiores da rede aparecem em posições mais baixas. Também na capital cearense, o Colégio Central Farias Brito teve 500 participantes no exame e ficou só no 1.483.º lugar. 

Tales de Sá Cavalcante, superintendente da Farias Brito, nega que a concentração de alunos de alto nível em uma escola menor seja uma estratégia para subir no ranking. “O estudante consegue ter um retorno melhor se a turma for mais homogênea”, afirma. “Nossa meta é chegar ao primeiro lugar.”

Para Cavalcante, o Inep deveria contar como permanência estudantes que trocam de unidade dentro de uma mesma rede. A Farias Brito planeja abrir nova unidade em 2016.

Outras duas redes cearenses - a Christus e a Ari de Sá - também estão na parte alta do ranking com unidades pequenas e permanência inferior a 20%. Só o Ari de Sá estava no top 100 no Enem 2013. Essas escolas são famosas por aprovar grande número de alunos no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). 

Avaliação. De acordo com a consultora em educação Ilona Becskehazy, divulgar a taxa de permanência melhora o processo. “Estão sendo aprimoradas as ferramentas para evitar que os resultados sejam maquiados”, aponta. Mas ainda é preciso, defende ela, pensar em como combater a segregação de alunos.

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