Sisu é porta de entrada para o Centro-Sul

Jovens têm o sonho de deixar o Norte e o Nordeste, mas ainda ocupam poucas das vagas oferecidas em universidades do Sudeste do País

O Estado de S. Paulo

27 Outubro 2013 | 12h10

A popularização do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) pode facilitar a vida de quem mora no Norte e no Nordeste, mas sonha em estudar em universidades nacionalmente reconhecidas. No entanto, o porcentual de alunos dessas regiões que conseguem de fato ocupar vagas no centro-sul do Brasil ainda é baixo.

O recifense Alberto Farias, de 19 anos, dedicou pelo menos cinco horas diárias aos estudos neste ano. O objetivo é conseguir uma nota suficiente no Enem para ser aceito pela Universidade de Brasília (UnB), onde quer cursar Geologia. "Já que escolhi uma área de pouca visibilidade, quero me formar em uma instituição de qualidade", explica. O estudante também gostaria de sair da casa dos pais e ter uma experiência fora do Estado de origem.

O Sudeste também é a meta da pernambucana Fernanda Andrade, de 19 anos, que tem o sonho de ser médica. Ela esperava que a Universidade Federal do ABC, em Santo André, que utiliza o Sisu como processo seletivo, abrisse o curso de Medicina, o que não ocorreu. "Eu já estava mais familiarizada com a UFABC do que com a Universidade Federal de Pernambuco." Sem a opção, espera ter média suficiente para estudar em alguma outra instituição de São Paulo, Rio ou Rio Grande do Sul.

O cearense Pedro Jairo quer estudar na UFRJ ou na Universidade de Brasília (UnB). "Com o Enem e, em seguida, o Sisu, estou planejando entrar em grandes universidades."

A dificuldade de ingresso em uma universidade também pode ser motivo para fazer as malas. Aos 34 anos, o rondoniense Ednildon Neves de Oliveira planeja entrar em uma universidade em Mato Grosso. Ele já prestou o Enem duas vezes. Entrou na lista de espera da Universidade Federal de Rondônia (Unir), mas não foi chamado para o curso de História. "Vou me mudar para realizar o sonho de ter uma profissão", conta.

Números. Apesar do interesse dos estudantes do Norte e do Nordeste por universidades no Sudeste e no Sul do Brasil, eles ainda ocupam poucas das vagas oferecidas. Em 2013, 1.147 alunos que fizeram o Sisu em Pernambuco acabaram se matriculando em outros Estados, o que corresponde a 23% do total. O Ceará exportou 8% de seus estudantes, o que corresponde a 778 pessoas. Já Rondônia é o Estado que mais exporta estudantes - 262 ou 94% dos inscritos. Dos "forasteiros" que estão em São Paulo, 196 são mineiros, o que corresponde a 38% do total. No Rio, o maior grupo é de São Paulo (724 de 1.911, também totalizando 38%). /ANGELA LACERDA, LAURIBERTO BRAGA e QUETILA RUIZ, ESPECIAL PARA O ESTADO

 

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