Aílton Cruz/Estadão
Aílton Cruz/Estadão

Sisu: 80% das universidades federais já aderiram

Só no 1º semestre, 1,9 milhão de alunos se inscreveram por meio da plataforma digital criada para preencher vagas na rede pública

Davi Lira, de O Estado de S. Paulo,

19 Maio 2013 | 22h47

Em três anos, o Sistema de Seleção Unificada (Sisu) - plataforma digital criada em 2010 para preencher vagas em instituições públicas de ensino superior - já tem adesão de 80% das 59 universidades federais do País. Em quase metade delas, 100% das vagas para novos calouros estão sendo preenchidas pelo Sisu. Só no 1º semestre, 1,9 milhão de estudantes se inscreveram. Foram oferecidas aproximadamente 100 mil vagas nas federais. A próxima oferta de vagas está prevista para junho.

Criado pelo Ministério da Educação (MEC), o Sisu usa como critério de seleção o desempenho do estudante na prova do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem). No início de cada semestre, o site do “vestibular nacional” pode ser consultado pelo estudante interessado em mais de 3 mil cursos. A candidatura é feita de forma online em duas opções de curso em qualquer instituição.

Segundo dados do MEC, a adesão está mais concentrada nas federais da Região Sudeste: mais de 84% de participação. As três universidades localizadas no Estado de São Paulo - Unifesp, Federal do ABC e São Carlos - participam do Sisu.

A Universidade de Brasília, a de Minas e a do Triângulo Mineiro estão entre as instituições que aderiram recentemente à plataforma. Elas pretendem oferecer quase 10 mil vagas no vestibular do ano que vem. A Federal do Espírito Santo vai ofertar pelo Sisu todas as vagas de câmpus do interior já partir do próximo semestre.

 

Resistência

Se o ingresso de novos estudantes em instituições tradicionais como a Federal do Rio de Janeiro e a do Ceará já é feito integralmente pelo Sisu - usando apenas a nota do Enem -, outras unidades tradicionais como a do Rio Grande do Sul (UFRGS) e da Bahia (UFBA) ainda resistem em entrar no sistema de seleção nacional. “A rejeição na comunidade acadêmica existe, mas ela é muito menor que há três anos. Esperamos ter uma posição mais definida até junho”, afirma Ricardo Miranda, pró-reitor de graduação da UFBA.

 Em abril, Luiz Cláudio da Costa, presidente do Inep - órgão de pesquisas vinculado ao MEC -, visitou à UFBA para fazer "corpo a corpo" com o intuito de favorecer a adoção do Sisu pela instituição.

Segundo Gustavo Balduíno, secretário executivo da Andifes - entidade de representação das universidades federais -, não há "uma razão comum" para a não adesão das instituições. "São motivos específicos e até administrativos. Umas universidades entendem que o seu modelo de vestibular é mais apropriado", diz Balduíno.

No entanto, para Marcio da Costa, professor da Faculdade de Educação da UFRJ, é importante "racionalizar" o acesso ao ensino superior. "Com o Sisu, acaba o festival de vestibulares isolados no País, que em boa parte eram máquinas de arrecadação financeira das universidades", diz Costa.

O Estado apurou que algumas instituições que ainda não aderiram à plataforma - 12 ao todo - estão preocupadas com o aumento do ingresso de estudantes de outros Estados. Elas alegam que seria preciso mais verba para assistência e moradia estudantil como contrapartida à participação no Sisu.

Regionalismo

Já no caso da UFRGS, o debate sobre a adoção do Sisu está “apenas” iniciando. "Estamos, primeiramente, com um olhar crítico e estudioso na maneira como o sistema está sendo desenvolvido nas outras universidades", diz Rui Oppermann, vice-reitor da UFRGS.

Oppermann  tem ressalvas quanto à reserva de vagas feita exclusivamente pelo exame do Enem.

"Aqui no Estado há uma questão regional muito forte. Como o Enem acaba pautando a formação do estudante do ensino médio. Sem o nosso vestibular tradicional, parte da literatura local pode ser desconsiderada na preparação dos alunos ao exame nacional", fala o vice-reitor.

E se a adesão à ferramenta pelas federais já é grande, a participação dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia existentes no País é ainda maior. Todos os 38 institutos participam do Sisu. Cerca de 40% deles destinam integralmente as vagas pela plataforma.

Críticas

Apesar da mobilidade dos estudantes brasileiros e da facilidade de ingresso nas universidades federais, não faltam críticas ao Sistema de Seleção Unificada (Sisu) criado pelo Ministério da Educação em 2010.

Para o presidente de honra do Instituto Henfil, Mateus Prado, especialista no Sisu, “muitas” das vagas não são preenchidas. “Deve ser aprimorada a forma como se dão as convocatórias. Tem vaga que está disponível na 15.ª chamada”, diz.

De acordo com Gustavo Balduíno, secretário executivo da Andifes, que representa as federais, “certamente” é possível melhorar o Sisu. “Daqui a dois meses, pretendemos conhecer melhor os impactos desse modelo em comparação com o tradicional”, diz Balduíno.

Para o professor da Faculdade de Educação da UFRJ, Marcio da Costa, com a adesão cada vez maior ao Sisu, novas demandas foram criadas. “A evolução da ferramenta vai exigir mais assistência e moradia estudantil.”

O estudante mineiro Gustavo Amorim, de 20 anos, por exemplo, resolveu partir do Sudeste para estudar Medicina em Alagoas por conta própria. Há um ano lá, ele diz que a decisão final da mudança só ocorreu pela facilidade que teve em perceber onde era possível conquistar a vaga. “Eu mesmo não me deslocaria para Alagoas apenas para fazer a prova. Agora, com o Sisu, só é preciso nota, disposição e meios para a mudança”, afirma o estudante.

A aluna de Mogi Mirim (SP) Lourena Dantas, de 19 anos, também partiu para o Nordeste para estudar Medicina. Ela não conseguiu passar em vestibulares de São Paulo e do Rio. "É claro que existe uma vontade de permanecer perto de casa, mas a minha escolha foi ser feliz estudando o que eu sonhei. Estou amando", fala Lorena.

Entrevista

Aloizio Mercadante, ministro da Educação

 

1. Qual o porcentual de vagas que não são preenchidas no Sisu?

Os mecanismos vêm sendo aprimorados. Com duas chamadas mais a lista de espera, praticamente 100% das vagas são preenchidas.

2. O MEC vai ampliar as bolsas de assistência?

O foco do programa de Bolsa Permanência está nos cotistas, com renda familiar de até 1,5 salário mínimo por pessoa. Isso não impede que as universidades que têm programas próprios incluam alunos de outros Estados. Em 5 anos, já foi investido mais de R$ 1 bilhão. Em 2013, a previsão é de R$ 603 milhões.

3. O MEC quer universidades estaduais no Sisu?

A adesão é voluntária. Tem crescido tanto no número de federais quanto no de estaduais. Em 2010, houve uma adesão; neste ano, 17.

Enem 2013

A edição 2013 do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) já recebeu mais de 2,3 milhões de inscrições. O prazo vai até 27 de maio. A inscrição pode ser feita pelo site http://enem.inep.gov.br, após pagamento de uma taxa de R$ 35.

 

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