Caio Palazzo
Caio Palazzo

‘Sistemas vão fazer o que homem faz hoje’, diz fundador da Tera

Confira a entrevista de Leandro Herrera sobre as mudanças no mercado de trabalho e as novas exigências para o profissional

Entrevista com

Leandro Herrera, fundador da startup de educação Tera

Luciana Alvarez, especial para o Estado

31 Outubro 2017 | 06h00

Como se preparar para carreiras que ainda nem existem?

Há dois componentes diferentes: as chamadas soft skills (habilidades comportamentais), que são mais de atitudes do que técnicas, e as hard skills (habilidades técnicas). Os sistemas inteligentes vão cumprir muito do que o ser humano faz hoje. Portanto, vai ser mais importante a frente de soft skills. Devemos desenvolver a inteligência social, a gestão da carga cognitiva, a capacidade de transitar por vários assuntos, de entender os problemas de forma sistêmica. Essas competências vão servir para qualquer profissão. 

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É possível imaginar o que vai acontecer na frente das hard skils?

Sim. Em todas as profissões, aumenta a necessidade de analisar dados, algo que pede conhecimentos técnicos, para saber usar as informações existentes. E ganha mais relevância o design de forma ampla: o design de experiências, de soluções. Como existe a oferta de muitos produtos parecidos, as empresas vão ter de se preocupar com a experiência oferecida. 

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Aprender isso será suficiente?

Não. É importante desenvolver estratégias para se avançar sempre nas duas frentes. É necessário ter uma base estruturada e, com ela, você pode continuar a aprender. Foi-se o tempo em que o mundo e as carreiras eram estáveis o suficiente para ser um bom profissional sem se atualizar constantemente. Nossa capacidade de continuar produtivos está relacionada à de se manter aprendendo - e rapidamente. 

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Nesse cenário, os cursos e faculdades tradicionais vão perder a força que têm hoje?

É uma incógnita, porque é um sistema muito complexo. Mas o tempo de uma graduação de quatro anos é incompatível com o tempo do mundo de hoje. Para mudar isso em larga escala talvez seja necessário algo como as empresas de TI e startups começarem em massa a desvincular suas contratações de graduações oficiais, reconhecidas pelo MEC (Ministério da Educação). Assim as pessoas teriam a opção de procurar outras formações. Os Estados Unidos já têm algumas experiências, como uma faculdade voltada para a área de tecnologia de apenas um ano, bem focado nas competências do momento. 

 

Atualmente, uma faculdade e uma pós-graduação continuam essenciais?

A universidade hoje é um intermediador de segurança. O empregador quer um sinal que facilite encontrar pessoas com a competência que ele procura. Mas estamos no limiar de quebrar essa lógica, porque, no mercado, o carimbo da instituição de ensino não significa mais que o ex-aluno tem essas competências. Uma pesquisa feita em 64 países perguntou às pessoas se elas concordavam que os graduandos saíam das faculdades prontos para o mercado. Apenas 42% dos empregadores e 45% dos estudantes concordaram. 

Mas, se não for com base nos diplomas e certificados, como as empresas vão contratar?

Não existe uma fórmula. Talvez a chancela de um grupo de pessoas que faça isso anonimamente consiga quebrar a necessidade desse intermediador de confiança único que é a instituição de ensino. Outro caminho são formações modulares que desenvolvam uma competência específica.

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