Sindicalista diz que paralisação continua

Em reunião de 3 horas, reitores e grevistas ficaram longe de acordo

Elida Oliveira, Especial para O Estado de S. Paulo

23 Junho 2009 | 09h00

Em reunião de quase três horas, na tarde de ontem, o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas  (Cruesp) e o Fórum das Seis, representante de trabalhadores, alunos e professores da USP, Unesp e Unicamp, avançaram pouco rumo a um entendimento. Os reitores mantiveram a oferta de aumento salarial de 6,05% (referente às perdas inflacionárias de abril de 2008 a maio de 2009), proposta a princípio rejeitada pelo Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) e pela Associação dos Docentes (Adusp), que pedem outros 10% referentes a perdas dos últimos 20 anos. Os resultados da reunião serão levados a assembleias nos próximos dias, mas o Sintusp saiu da reunião defendendo a continuidade da greve na USP.  Uma decisão da reitoria da USP atendeu parcialmente a uma reivindicação dos grevistas. A universidade adiou para o ano que vem a definição sobre a abertura do curso a distância para professores do ensino básico da Univesp, universidade virtual criada pelo governo paulista, criticada por parte dos alunos e docentes. O adiamento foi atribuído pela reitoria à negociações sobre a verba que será repassada pelo Estado para bancar o curso. Apesar disso, os grevistas viram na decisão uma vitória da mobilização. "O informe foi que a Univesp será paralisada por falta de verba para implementação e para discutir a qualidade do curso. Mas acreditamos que a força da mobilização contribuiu para isso. Defendemos que haja expansão de vagas para todos, mas com professores em sala de aula", disse Gabriel Cassoni, do DCE da USP. Além da questão da Univesp e do reajuste salarial, a pauta unificada do Fórum das Seis tem mais 14 itens, que não foram analisados ontem. Eles incluem a proposta de aumento de repasse do ICMS pelo governo para custear faculdades anexadas à USP em Lorena e à Unicamp em Limeira. Uma nova rodada de negociação entre reitores e grevistas está marcada para segunda-feira. Para o diretor de base do Sintusp, Magno de Carvalho, a greve vai continuar. "Não houve avanços e a reunião foi de apresentação de propostas deles." O presidente da Adusp, Otaviano Helene, questionou a planilha de custos apresentada pela reitoria. "Na reunião anterior o orçamento apresentado trazia aumento de custos com folha de pagamento de 12%, sendo que o incremento no salário foi de 6%. A justificativa eram os aposentados, contabilizados duplamente. Agora eles justificaram essa diferença dizendo que era o investimento em plano de carreiras. No mínimo, não há transparência na gestão dos recursos da universidade." Em nota, o Cruesp disse que "reitera sua disposição em manter o poder aquisitivo dos salários", oferecendo reajuste baseado no índice IPC-Fipe, "mesmo em face da queda de 4,88% da arrecadação do ICMS de janeiro a maio, em relação aos valores previstos para o período".

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