Niels Stenmeier
Niels Stenmeier

Seu filho voltou a agir como bebê? Saiba como lidar com a regressão infantil

Na pandemia, 27% dos pais relatam que crianças voltaram a ter comportamentos regressivos como usar chupeta e fazer xixi na cama; situação demanda estímulos e acolhimento

Júlia Marques, O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2021 | 14h00


Sem estímulos adequados e sob estresse, parte das crianças na pandemia teve regressões no comportamento: passaram a falar menos, chorar mais, fazer xixi na roupa ou usar a chupeta. Os comportamentos de quando eram mais novas assustam os pais e têm levado famílias aos consultórios de pediatras. Em boa parte dos casos, as situações são transitórias. A retomada da rotina, o contato dos pais e boa estimulação, em geral, são suficientes para que os pequenos retomem os comportamentos esperados para a idade. 

Veja abaixo dicas de como lidar com essa situação e promover estímulos positivos para crianças de 0 a 3 anos: 

  • Expressão. Regressões no comportamento, como chorar mais, falar menos e voltar a fazer xixi na roupa, são comuns em situações de estresse e representam uma forma de expressão das crianças.  Na pandemia, os sentimentos de angústia dos pais e o isolamento podem levar a comportamentos regressivos entre as crianças.
  • Contexto. Os pais devem observar esse tipo de comportamento e acolher a criança. Também devem evitar focalizar nela a causa da situação, mas entender que a regressão tem a ver com o contexto de estresse a que todos estão submetidos.
  • Passageiro. Voltar a ter comportamentos de quando era mais nova não significa que o desenvolvimento cognitivo da criança será prejudicado. Especialistas apontam que essa situação é, em geral, transitória e crianças pequenas têm enorme capacidade de recuperação.
  • Contato. O contato dos adultos com as crianças deve ser aprofundado. Embora os pais estejam mais tempo em casa, nem sempre isso significa proximidade e acolhimento. Brincadeiras são uma forma de estreitar a comunicação, estimular o desenvolvimento das crianças e dar segurança.
  • Desde o colo. As brincadeiras podem começar desde o primeiro ano de vida, com atividades como cantar e fazer expressões faciais diante de um espelho. Atividades rotineiras, como dar banho ou comida, também podem envolver brincadeiras.
  • Bate papo. A conversa com a criança deve ser estimulada, mesmo que ela ainda não entenda tudo ou saiba falar. Embora bebês não entendam o conteúdo de uma conversa, eles conseguem captar sentidos pelo tom da voz.
  • Rotina. É positivo, sempre que possível, manter rotinas para as crianças, com horários de alimentação e sono. A escola também ajuda a reorganizar as atividades cotidianas.
  • Ajuda. Se os comportamentos regressivos persistem mesmo com boa estimulação e há sinais de atraso ou perdas na linguagem, pais devem procurar ajuda profissional. Um pediatra deve ser capaz de avaliar o contexto em que a criança está inserida e investigar se a situação é transitória, decorrente da pandemia, ou tem origem em transtornos.
  • Tela interativa. A estimulação de crianças que ficam sozinhas diante de telas é menor do que qualquer interação social. Se não é possível limitar o tempo de tela, o melhor é acompanhar a criança enquanto assiste TV, fazendo comentários e provocando interações.
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