Sete calouros são vítimas de trote violento em Barretos

Estudantes veteranos da Unifeb jogaram produto líquido que provocou queimaduras de 1º grau

Brás Henrique, da Agência Estado,

23 Fevereiro 2010 | 15h51

Sete calouros do Centro Universitário da Fundação Educacional de Barretos (Unifeb), na região de Ribeirão Preto, sofreram um trote violento na noite desta segunda-feira, 22, na primeira noite de aula. Os alunos, todos da vizinha Jaborandi, com cerca de 6,7 mil habitantes, desceram de um dos dois ônibus da prefeitura, em frente à instituição, e dois veteranos que estavam no mesmo veículo, jogaram um produto líquido, que seria creolina. Em contato com a pele, os corpos dos estudantes sofreram queimaduras de primeiro grau. As vítimas foram levadas ao Pronto-Socorro da Santa Casa de Barretos e liberadas após os atendimentos.   Veja também: 'Violência acaba se universidade for responsável pela recepção' Unicamp e Unesp criam disque-denúncia de trotes violentos MPF declara guerra à violência no trote  O trote é importante para recepcionar os calouros? Acompanhe tudo sobre educação no Estadão.edu    Três estudantes preferem deixar o caso de lado, mas um deles vai levar o caso à Justiça. A direção da universidade alega que, apesar do incidente ter ocorrido fora do câmpus, o Conselho Universitário analisará o caso e os responsáveis poderão ser advertidos ou até expulsos.   O trote ocorreu por volta das 19h, quando os estudantes de Jaborandi chegavam em Barretos. Um veterano passou o vidro de creolina para outro, que jogou nos calouros. Alguns temiam que pudesse ser ácido. "Ardia muito e usei água de uma enxurrada, depois avisei os mais novos e fomos para o banheiro da faculdade, usamos sabão, e em seguida fomos para o Pronto-Socorro", recordou Ronier Jorge Ferreira Silva, de 30 anos, o mais velho dos calouros atingidos, que é segurança de um banco em Jaborandi e está iniciando o curso de engenharia civil. Ronier foi atingido pelo líquido no rosto (abaixo dos olhos), na barriga e nas partes íntimas. Ele afirma que levará o caso às últimas consequências.   "Quase fui atingido no olho, e se ficasse cego, o que adiantaria o pedido de desculpas deles? E será que minha mãe conseguiria me sustentar?", indagou Ronier, já estava programando o exame de corpo de delito e a ação judicial. Um dos agressores o procurou ontem (23), mas ele nem conversou. "O (veterano) que levou a creolina trabalha com animal e sabe que esse produto não pode ser jogado puro nem em cavalo, que precisa ser misturado com grande quantidade de água, e jogaram o líquido puro na gente", argumentou Ronier. "Quero que as punições a eles sirvam de exemplo para que no ano que vem não ocorra mais isso." Ronier não vai desistir de seu sonho e usará o mesmo ônibus como transporte.   Outros três estudantes ouvidos pela reportagem não gostaram do trote, mas preferem esquecer o assunto. Murilo Daniel Fonseca, de 19 anos, cursará administração, e sofreu queimaduras nos braços e nas costas. Ele diz que esperava brincadeiras como trotes, mas não algo violento. "Foi uma brincadeira de mau-gosto", admitiu Fonseca, que foi procurado pelo veterano que levou a creolina. "Ele sabia que queimava e nada falou", lamentou Fonseca, que aceitou o pedido de desculpas e prefere ignorar o caso. O amigo Rodolfo Henrique Sales de Olivera, de 18 anos, que também cursará administração, foi atingido no cotovelo e nas costas. "Bastou o reconhecimento deles, o arrependimento, foi o suficiente", disse Oliveira. Os dois não identificaram os agressores à reportagem.   Carla Fernanda Miguel, de 18 anos, cursará matemática, e foi atingida no rosto, pescoço, tórax e pernas. Seu amigo Tiago, conhecido por "Toupeira", foi o que jogou o líquido, imaginando que fosse perfume, segundo disse a Carla. "Ele ficou apavorado, pediu desculpas e ajudou a pagar os medicamentos, por isso acho melhor não fazer nada", comentou Carla. As outras vítimas são João Mário Henrique da Silva (atingido nas pernas), de 18 anos, Geraldo Pereira, de 23, e Patrick Adriano de Souza (barriga e pescoço), de 23.   O reitor da Unifeb, Álvaro Fernandez Gomes, lamentou o incidente, pois a instituição reforçou a segurança interna (com monitores e até filmagens) e solicitou o reforço da Polícia Militar para o lado externo. Gomes informou que a universidade enviará um comunicado às vítimas, repudiando o fato ocorrido, e que solicitará a elas as identificações dos agressores, para que o Conselho Universitário possa analisar o caso. A instituição tem 4.500 alunos, sendo 1.200 calouros neste ano.

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