Divulgação
Divulgação

Servidores da Unicamp entram em greve contra salários acima do teto

Universidade anunciou no início do mês que congelará os salários de 912 docentes que recebem acima do teto constitucional

Isabela Palhares, O Estado de S. Paulo

20 Agosto 2015 | 19h08

Os funcionários técnicos-administrativos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) decidiram nesta quinta-feira, 20, entrar em greve. Eles reivindicam o fim dos salários acima do teto constitucional (de R$ 21.631,05) e pedem que o valor economizado seja usado para o reajuste dos vencimentos dos servidores.

Em junho, a universidade divulgou os salários de todos os seus funcionários e servidores, sendo que 1.020 recebem acima do teto constitucional, de R$ 21.631,05 - mesmo salário do governador Geraldo Alckmin (PSDB). No início de agosto, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) determinou que a Unicamp respeitasse o teto e, com isso, a universidade informou que iria economizar R$ 2 milhões por mês.  Desde abril do ano passado, o teto já era aplicado aos técnicos administrativos.

De acordo com Iuriatan Muniz, diretor do Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp (STU), a reivindicação é de que o valor economizado seja usado para um reajuste nos salários dos servidores. "Nós encaminhamos esse pedido e até agora não tivemos nenhuma resposta da reitoria".

O Estado procurou a Unicamp, mas ninguém foi localizado para comentar sobre a greve.

Crise financeira. A Unicamp tem um orçamento previsto para este ano de R$ 2 bilhões - 95,9% desse valor está comprometido com a folha de pagamento dos servidores. Em maio, a instituição já previa terminar 2015 com um déficit de R$ 82,8 milhões, mais do que o dobro do déficit de 2014, que foi de R$ 25,1 milhões.

Imbróglio. A disputa judicial sobre a aplicação do teto salarial na Unicamp começou em abril do ano passado, quando a universidade passou a limitar os pagamentos para cumprir uma decisão do Tribunal de Contas do Estado (TCE). A Associação dos Docentes da Unicamp (Adunicamp) conseguiu, no ano passado, uma liminar que impediu a universidade de congelar os salários. A associação argumenta que o limite desrespeita a isonomia entre os servidores, pois os procuradores da universidade não estariam incluídos no mesmo teto, e entre docentes de universidades federais e estaduais. Também defendem que é um direito adquirido e que a legislação impede a redução de salários. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.