Sergipe bate São Paulo em avaliação internacional de educação

Secretária de Educação de São Paulo diz que a margem de erro dos resultados no Estado é menor

Lisandra Paraguassu, da Agência Estado e Renata Cafardo, de O Estado de S. Paulo,

04 de dezembro de 2007 | 20h03

Estado mais rico do País, São Paulo não consegue refletir seu poderio econômico na educação. Os resultados do Programa Internacional de Avaliação por Aluno (Pisa) de 2006, divulgados pelo Ministério da Educação (MEC), mostram o Estado com médias piores do que as nacionais em leitura e ciências, e igual à média brasileira em matemática. Mais do que isso, São Paulo perde para Estados mais pobres, como Paraíba e Sergipe. Reunindo, sozinho, cerca de 20% dos alunos do País, a média paulista, na verdade, chega a puxar para baixo a média nacional, acusa o MEC.     Resumo do Pisa: 10 melhores e 10 piores  Relatório da OCDE (parte 1)  Relatório da OCDE (parte 2)  Relatório da OCDE (parte 3)  Tabela completa de notas de ciências  Brasil no IDH  Exemplo de prova de Ciências (em inglês)  Exemplo de prova de Matemática (em inglês)   "Era de se esperar que as médias de São Paulo ajudassem a puxar os resultados brasileiros para cima, mas não foi o que aconteceu", disse o ministro da Educação, Fernando Haddad. "Se é verdade que os Estados mais ricos deveriam ter um desempenho melhor, há exceções. Há Estados pobres com resultados melhores que os ricos".    Em São Paulo, fizeram o Pisa 1.067 estudantes, o equivalente a 11% da amostra nacional. Mas, na conta final da média nacional, o peso de um aluno paulista é maior do que de todos os outros Estados, justamente porque a amostra representa 20% de todos os estudantes da educação básica no País.   Com um dos menores Produtos Internos Brutos do Brasil - 0,7% do PIB nacional, contra os 30,9% de São Paulo - o Estado de Sergipe ganhou fácil nas três áreas do Pisa. Em ciências, fez 402 pontos contra 385 de São Paulo. Em matemática, 385 contra 370 dos alunos paulistas. E em leitura, 408 contra 392. São Paulo gasta por ano, em média, R$ 600 a mais por aluno da educação básica que Sergipe.    Margens de erro   A secretária estadual de São Paulo, Maria Helena Guimarães de Castro, rejeita a idéia que de o Estado fez com que o Brasil se saísse mal no Pisa. Segundo ela, a proporção de alunos paulistas não bastaria para definir a nota brasileira. Além disso, ela estranhou as margens de erro dos resultados, que são bem superiores em outros Estados, se comparadas às de São Paulo.   "Quanto menos alunos fazem a prova maior a margem de erro", diz Maria Helena, que foi presidente do Instituto Nacional de Pesquisas e Estudos Educacionais do MEC (Inep) quando o Brasil fez o primeiro Pisa, em 2000.   A secretária é especialista em avaliação e foi quem decidiu, no fim dos anos 90, a participação do País no exame da OCDE. As margens de erro dos resultados paulistas não passam de 6,2, enquanto no Distrito Federal, chegam a 20,8. Sergipe teve margem de erro que variou de 14 a 16 pontos.   Maria Helena, no entanto, reconhece que o Estado precisa melhorar. "O grande desafio de São Paulo é a melhoria da qualidade", disse.   O MEC não se arrisca a fazer uma avaliação sobre os resultados paulistas, mas o atual presidente do Inep, Reynaldo Fernandes, lembra que o Estado também não está nos primeiros lugares no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). Em 2005, o Estado apareceu em 7º lugar em português e 10º em matemática na avaliação da 8ª série - equivalente ao Pisa, que faz a prova com estudantes de 15 anos.    Campeão nacional   Primeiro lugar nas três áreas avaliadas, o Distrito Federal, tem médias acima de 400 pontos. Ainda sim, não passaria da 40ª posição entre 57 países. Sua melhor pontuação, em ciências, o levaria a ficar um pouco acima do Chile e abaixo de Israel.    Ainda assim, o DF está muito a frente do Maranhão, o último colocado na lista. Em matemática, a média maranhense é 100 pontos abaixo da nacional. Em português, não alcança os 300 pontos.   Se fosse país, o Maranhão perderia com alguma folga para o Quirguistão, último colocado em todas as três áreas. 

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