Tiago Queiroz/Estadão - 06/10/2021
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Rosely Sayão
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Será que teremos de mudar?

Desejo reuniões familiares ricas em afetos e um ano melhor para cada um de nós. Saúde!

Rosely Sayão, O Estado de S.Paulo

19 de dezembro de 2021 | 05h00

“Será que, após a pandemia, teremos de mudar a educação dada em casa e na escola?”; “As crianças aproveitam algo das reuniões familiares tradicionais de fim de ano?”. Essas foram duas questões bem interessantes que mães encaminharam a mim. Vale a pena pensar nelas.

Depois de períodos muito difíceis durante a pandemia e agora um pouco mais calmos, mas não findados, as famílias mudaram, e muito. Mudou o relacionamento entre os familiares adultos, entre o casal, entre ex-casais e, consequentemente, entre pais e filhos. 

As crianças também sofreram diversas mudanças. Muitas experimentaram as dores de perdas significativas e sentimentos fortes de tristeza, insegurança e medo, enfrentaram o isolamento dos colegas, precisaram usar telas não como passatempo ou entretenimento e sim para estudar e aprender. Não foi simples para elas passar por essas situações. 

Tudo isso, realmente, nos leva a pensar em mudanças na educação. Entretanto, os valores e os princípios não precisam mudar, e sim a maneira de ser transmitidos. Em casa, os pais precisam reavaliar o tipo de relacionamento que têm com os filhos após tantas experiências difíceis. Castigos que provocam sofrimento, por exemplo, talvez devam ser trocados por consequências diretas causadas pelo comportamento. Em vez de punir a criança que já vive a segunda parte da infância por não ter organizado suas roupas, pode ser melhor deixar que ela sinta, na prática, a falta que faz a arrumação delas, que tal?

Na escola, a valorização do coletivo e da presença dos colegas pode estimular e encorajar o aluno a aprender. Hora de repensar metodologias e estratégias didáticas já que sabemos que alunos aprendem mais e melhor junto aos colegas. 

E as festas de fim de ano? Sabe, leitor, que além dos presentes tão desejados pelas crianças nas festividades deste período, as reuniões da família também têm lugar de destaque para elas? Por que será? É que quando o grupo familiar se reúne, a criança aprimora a sua identidade e enriquece seu acervo da cultura familiar. Afinal, ter um ou dois sobrenomes significa também carregar toda uma herança de valores, princípios, modos de lidar com conflitos, de dar broncas etc, que a criança testemunha ocorrer nessas festas. Por isso, ela só pode se beneficiar com a participação, mesmo que isso só seja reconhecido bem mais tarde, na maturidade. Desejo reuniões familiares ricas em afetos e um ano melhor para cada um de nós. Voltarei no primeiro domingo de fevereiro, após um descanso. Saúde!

*É PSICÓLOGA, CONSULTORA EDUCACIONAL E AUTORA DO LIVRO EDUCAÇÃO SEM BLÁ-BLÁ-BLÁ

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