Sem regulamentação, carreiras artísticas buscam consolidar direitos

Nascidos na informalidade, artistas querem fortalecer cursos em suas áreas

Estadão.edu

22 Abril 2014 | 03h00

As atividades artísticas historicamente nasceram da informalidade e só depois se consolidaram como profissões. Até hoje, quem atua em ramos específicos das artes e da arquitetura espera que sua área seja regulamentada pelo governo federal. Projetos de Lei (PL) para a regulamentação de design de interiores e paisagismo, por exemplo, tramitam no Legislativo. O PL para regulamentar a área de Conservação/Restauração chegou a ser aprovado no Senado em 2013, mas recebeu veto da presidência.

Para o presidente da Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho, Paulo Luiz Schmidt, um projeto de regulamentação deve ser aprovado quando houver interesse público que o justifique. “O objetivo de muitas categorias ao buscar uma regulamentação é a conquista de direitos, mas acordos coletivos suprem bem essa necessidade.”

Para o presidente da Associação Nacional de Paisagismo, João Jadão, a regulamentação da profissão serve também para criar graduações. Hoje, só a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) tem uma graduação na área, a de Composição Paisagística. “Como o paisagismo não é regulamentado, existem muitos cursos livres.”

Para a presidente da Associação Brasileira de Conservadores-Restauradores de Bens Culturais (Abracor), Jacqueline Assis, são poucas as instituições que têm graduações nessa área porque há poucos doutores. “No passado, para se formar, tinha de ir para fora do País.”

Depoimento - Fernando Vilela, artísta plástico

“Desde pequeno gostava de desenhar e de pintar e foi uma consequência natural prestar vestibular para Artes Plásticas. A universidade foi importante pelas pessoas que me orientaram, mas é possível ter uma formação fora da academia. Não tinha a mínima ideia (de que ganharia prêmios como o Jabuti), mas sempre mobilizei a minha energia para fazer arte. É um prazer com grande esforço.”

Natália Nifoci, estudante do 4º ano de arquitetura da Universidade Presbiteriana Mackenzie

"Tive contato com arquitetura logo cedo, pois venho de uma família de arquitetos, e de professores (não posso deixá-los de fora). Foi na adolescência, antes de escolher a faculdade para prestar vestibular, que comecei a pensar nessa profissão para mim. Apesar de gostar, arquitetura não foi a minha primeira escolha, pois não sabia desenhar direito. Prestei vestibular em diversas áreas até que, na metade do primeiro ano de cursinho, decidi encarar o desafio do desenho e fazer Arquitetura. Para isso, fiz aulas especializadas para a prova de habilidades específicas. Comecei a estagiar um ano antes da faculdade, aprendi muito e tive certeza de que era essa a carreira que queria seguir. Foi uma confirmação para a escolha do curso.

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