Sem reajuste salarial, professores da USP começam greve na próxima terça

Os professores da Universidade de São Paulo (USP) vão iniciar greve a partir da próxima terça-feira, 27, contra a política de congelamento de salários dos docentes e funcionários. A decisão foi tomada na tarde desta quarta-feira, 21, em assembleia geral da categoria. 

Paulo Saldaña e Victor Vieira, O Estado de S. Paulo

21 Maio 2014 | 18h53

O Sindicato dos Trabalhadores da Universidade de São Paulo (Sintusp) também optou por cruzar os braços por tempo indeterminado a partir de terça. O Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp) manteve a proposta de reajuste zero para as categorias, como o jornal O Estado de S. Paulo revelou no dia 13.

A decisão de greve dos trabalhadores da USP foi votada nesta quarta em reunião com cerca de dois mil trabalhadores no prédio da Faculdade de História, na Cidade Universitária, zona oeste de São Paulo. "Essa foi a maior assembleia em muitos anos", disse o diretor do Sintusp, Magno de Carvalho. "Não teve nenhum voto contra a greve. A Universidade não pode rebaixar salários, porque, com essa inflação, não dar reajuste significa queda salarial."

"A postura do Cruesp foi intransigente", criticou o presidente da Associação dos Docentes da USP (Adusp), Ciro Correia. "O arrocho salarial não é resposta para a crise nas universidades, mas piora sua capacidade de trabalho", acrescentou. Professores e funcionários ainda farão assembleias setoriais e gerais nesta quarta-feira em câmpus das três instituições para discutir a possibilidade de greve.

A USP vive uma crise financeira e gasta mais de 100% de seu orçamento com pagamento de salários. Antes de anunciar, em conjunto com Unesp e Unicamp, o congelamento de salários, a USP já havia cortado 30% de todos os gastos de custeio e investimento. Os níveis de comprometimento do orçamento com a folha de pagamento estão em 95,42% na Unesp e 97,33% na Unicamp.

Outras estaduais. Os servidores das três universidades estão em paralisação nesta quarta-feira, 21. De acordo com a assessoria de imprensa da Unesp, trabalhadores de 13 dos 34 câmpus fizeram paralisação parcial nesta quarta.

Já há um indicativo de greve em 15 unidades das 34 câmpus da Unesp, sendo que em duas professores e funcionários já cruzararam os braços por tempo indeterminado - Instituto de Artes de São Paulo e Sorocaba. Professores e funcionários da universidade já haviam aprovado o indicativo de greve caso não houvesse avanço nas negociações com o Cruesp e farão assembleias setoriais durante o resto da semana. A Unicamp deve definir ainda nesta quarta se param as atividades.

Na próxima terça-feira, 27, os servidores da Unesp também planejam fazer um protesto em frente à Assembleia Legislativa de São Paulo, na zona sul da capital, contra o congelamento de salários. Na mesma data, uma comissão da Casa discutirá a crise nas universidades estaduais.

 

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