Seleção nos EUA é exigente

Na prova, além dos conhecimentos das disciplinas, outras habilidades são consideradas

Ocimara Balmant, O Estado de S. Paulo

19 Janeiro 2013 | 20h53

SÃO PAULO - No exame de seleção americana para entrar em uma universidade, gabaritar a prova não é suficiente. Metade dos estudantes que acertam tudo no SAT é rejeitada pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), por exemplo. É que, além dos conhecimentos das disciplinas, outras habilidades são consideradas.

"Tudo vale. Trabalho voluntário, esportes, música, dança, artes, olimpíadas acadêmicas, grupo de debate, cuidar do seu irmão mais novo, etc", explica a página de informações do site "Estudar nos EUA", outro projeto do trio Gustavo Haddad Braga, Anderson Ferminiano e Henrique Dubugras, feito para dar dicas a quem quer estudar no país.

"Aqui, a nota basta; lá, não. Se as pessoas não souberem disso antes, não têm tempo para incrementar o currículo. E como os dados de cada componente estão dispersos, muitos alunos deixam de tentar por não entenderem como funciona", diz Gustavo.

Com o domínio do processo, cabe aos brasileiros que pleiteiam um espaço por lá se dedicar muito. A entrada de estrangeiros é restrita. No MIT, por exemplo, das 1,2 mil vagas abertas por ano, somente 10% são para não americanos. Na média, dois brasileiros conseguem o feito. Se somados àqueles que entram em todas as outras instituições de ponta, os brasileiros chegam a 30 a cada ano.

Gente que costuma voltar ao Brasil. "Se um diploma desse já tem muito valor lá, imagine aqui no Brasil, que tem uma oferta muito pequena de egressos desses lugares. Não compensa ficar lá", compara Anderson.

No processo de formação, o que mais diferencia os dois países é o modelo de aprendizagem. No formato norte-americano, os alunos passam, em média, menos tempo dentro de salas de aula "tradicionais" que nas faculdades brasileiras.

"Lá, o aluno gera conhecimento. O tempo de aula é muito menor. O dia em que tenho muitas aulas, são quatro", diz Gustavo. "Lá, espera-se que o aluno estude muito mais por conta própria. E se dá mais valor à parte prática e experimental, por meio dos laboratórios."

Com isso, sobra mais tempo para que os alunos desenvolvam projetos próprios (atividades extracurriculares). No caso de Gustavo, ele se dedica ao sites "EduqueMe" e "Estudar nos EUA".

Aos interessados em fazer a aplicação, o SAT tem sete edições por ano e é divido em três seções: Leitura e Interpretação, Raciocínio Lógico e Gramática, cada uma delas pontuada numa escala que vai de 200 a 800.

Vale também bater ponto nas olimpíadas acadêmicas internacionais, onde sempre há representantes das universidades de olho nos integrantes do pódio.

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