Werther Santana/ESTADÃO
Werther Santana/ESTADÃO

Seis em cada dez alunos voltam às escolas na rede pública de São Paulo

Colégios podem receber todos os estudantes, desde que garantam distanciamento de um metro entre eles

Júlia Marques, O Estado de S.Paulo

06 de agosto de 2021 | 14h37

SÃO PAULO - Seis em cada dez alunos voltaram às escolas em São Paulo, segundo balanços divulgados pela secretaria estadual e a pasta municipal da capital paulista. O segundo semestre letivo teve início nesta semana, com a possibilidade de que as escolas recebam todos os estudantes, desde que garantam o distanciamento de um metro entre eles. Especialistas alerta para o risco de alta evasão após o longo período dos alunos afastados dos colégios durante a pandemia. 

Segundo a Secretaria Estadual da Educação, nos dois primeiros dias da semana houve o retorno presencial de 2,1 milhões de alunos - o que equivale a 60% dos estudantes da rede. Já nas escolas municipais da capital paulista, a Prefeitura contabilizou o retorno de 62% dos estudantes.

A volta dos alunos à escola ainda é um desafio para as redes públicas no Brasil. Professores temem a contaminação pelo coronavírus - 44% estão completamente imunizados contra a covid-19 - e parte dos pais não se sente segura para enviar os filhos à escola neste momento. O governo do Estado tenta agilizar a vacinação de adolescentes inclusive para ampliar a adesão à volta presencial, mas o início da imunização desse grupo está ameaçado por uma divergência entre Estado e Ministério da Saúde no envio de vacinas da Pfizer. 

Para setembro, o governo estadual planeja tornar o retorno à escola obrigatório. Já a rede municipal vem afirmando que a volta é opcional e que a não obrigatoriedade do retorno à escola é garantida por lei, enquanto durar o período de emergência da pandemia.

As escolas foram fechadas em todo o País em março de 2020, para conter a disseminação da covid-19. Ao longo do ano de 2020, parte das escolas foi reaberta, com baixa adesão. No início deste ano, em São Paulo, as aulas foram retomadas, mas tiveram de ser suspensas em março por causa da segunda onda da covid-19. 

Para o segundo semestre, o governo estadual deu o aval para colégios receberem todos os seus alunos, desde que respeitado o distanciamento de um metro entre eles - antes, o distanciamento mínimo era de 1,5 metro. A rede estadual informou que um quarto de suas escolas tem condições estruturais de receber 100% dos estudantes, mas a maioria (3.879 colégios) ainda terão de manter o revezamento. 

Na rede municipal, o secretário de Educação, Fernando Padula, previu a necessidade de rodízio em parte das escolas, que deverão receber metade dos estudantes por vez. Nas creches municipais, não haverá rodízio, mas os estabelecimentos devem respeitar o limite de 60% dos estudantes, para evitar aglomerações. 

A ocupação de escolas da rede pública destoa da verificada nos colégios particulares. Escolas privadas da capital receberam na última semana quase todos os estudantes - ficaram em casa apenas aqueles cujas famílias preferem manter o ensino remoto neste momento ou que têm comorbidades. 

Como saber se a escola é segura contra a covid? Tire suas dúvidas

1. As escolas agora têm limite de ocupação?

Não. No início de julho, um decreto do governador João Doria (PSDB) desobrigou escolas públicas e privadas de seguirem um porcentual máximo de ocupação. Até então, o limite era de 35%. 

2. Qual deve ser o distanciamento entre os alunos?

As escolas devem garantir o distanciamento de um metro entre os alunos – antes, a regra era 1,5 metro. 

3. O uso de máscaras continua obrigatório nas escolas?

Continua obrigatório, para estudantes e professores. Os colégios também devem evitar aglomerações na entrada.

4. A volta às aulas é obrigatória para todos os alunos?

Não. Os pais podem decidir se mandam ou não os filhos para a escola. Quem ficar em casa deve ter acesso ao ensino remoto. Para setembro, o secretário estadual da Educação já afirmou que pretende tornar o retorno obrigatório. 

5. O que devo observar na escola do meu filho para saber se é segura contra a covid-19?

A escola deve ser capaz de garantir o distanciamento entre os estudantes. Também deve ter atenção à ventilação dos ambientes. As salas não devem ser fechadas e é melhor privilegiar espaços abertos, como quadras e jardins. Outro ponto importante é verificar se a escola faz o rastreio de infecções e isola estudantes ou professores contaminados. 

6. A escola deve fornecer álcool em gel?

Continua importante manter a higiene das mãos, mas é preciso atenção: o álcool em gel, sozinho, não garante proteção. Medidas como tapetes sanitizantes na entrada, adotadas por algumas escolas, são pouco eficazes. Mais importante do que limpar sapatos e mochilas é garantir a ventilação dos ambientes e o uso correto de máscaras. Especialistas recomendam que pelo menos os professores usem máscaras profissionais do tipo PFF2, que filtram mais partículas e são mais indicadas contra a variante Delta do coronavírus. 

7. As escolas públicas também vão receber 100% de alunos?

As escolas estaduais vão determinar o número de alunos de acordo com a capacidade física, e o distanciamento será de um metro. O mesmo vale para escolas municipais da capital. Na rede municipal, apenas as creches terão limite de ocupação, de 60%. 

8. O que fazer em caso de sintomas da covid-19?

Caso a criança apresente sintomas da covid-19 (como febre, tosse e coriza), a recomendação é não mandá-la para a escola e informar o colégio. Crianças que tiveram contato com pessoas infectadas também não devem frequentar as aulas, mesmo que não apresentem sintomas. 

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