Segundo pesquisa, paulistas aprovam avaliação do ensino

Avaliação indica que 64% acham que o Saresp ajuda a melhorar a qualidade do ensino público

Karina Toledo, O Estado de S. Paulo

26 de dezembro de 2008 | 22h19

Pesquisa encomendada pelo governo estadual mostra que 67% dos paulistas entrevistados conhecem o Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp) e 64% acreditam que o exame ajuda a melhorar a qualidade do ensino público. Na opinião de especialistas ouvidos pela reportagem, os números correspondem à realidade do Estado e indicam uma mudança positiva na forma de a população encarar as avaliações de aprendizagem. Veja também: SP faz prova para avaliar aprendizado de matemáticaBônus de docente dependerá de nota de alunos no SarespVeja o resultado do Saresp 2007 O levantamento foi realizado entre os dias 4 e 5 deste mês com mil pessoas de diferentes regiões, idades e de ambos os sexos. A margem de erro é de 1,9 ponto porcentual. "O resultado nos surpreendeu positivamente", diz a assessora técnica da Secretaria de Estado da Educação Priscilla Tavares.  Entre os motivos que explicam os altos índices, Priscilla destaca o fato de que em 2008 foi feita, pela primeira vez, a divulgação de um boletim com os resultados do Saresp na internet. "Além de divulgar as médias, fizemos uma comparação entre bairros e municípios, de forma que os pais puderam avaliar o desempenho das escolas", explica.  Priscilla também ressalta o trabalho que tem sido feito com as equipes gestoras das escolas para divulgar as alterações na avaliação. Ganhou formato parecido com o da Prova Brasil (do governo federal), que permite a comparação dos resultados de um ano para outro. "A secretaria tem feito encontros regionais para divulgar o Saresp e acreditamos que isso se refletiu no nível de conhecimento dos pais", diz Priscilla. Foi a convite da diretora da escola de seu filho Victor, de 8 anos, localizada na zona sul de São Paulo, que Sandra Lopes Louzada decidiu ser voluntária na aplicação da prova em 2008. "A avaliação é importante para que os professores possam identificar possíveis problemas de aprendizado. Depois a diretora discute com os pais os resultados e a gente fica por dentro do que está acontecendo", diz. Referência "Antes do Saresp não havia referência para os pais acompanharem o trabalho que está sendo desenvolvido na rede de ensino estadual", afirma a professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) Clarilza Prado de Sousa. "Além disso, a aplicação do Saresp sempre procura envolver os pais. Acredito que os dados da pesquisa representem, sim, a realidade do Estado." Para David Saad, diretor da Fundação Victor Civita, que realizou pesquisa semelhante, mas de âmbito nacional, em setembro (mais informações nesta pág.), a novidade é a grande aprovação do exame. "Até pouco tempo, era um sacrilégio falar em avaliação. As provas eram muito criticadas pela classe docente e a população comprava essa visão", analisa."Mas as avaliações estão mais cada vez mais conhecidas, e esse é um dos objetivos, pois além de conseguir fazer um diagnóstico da situação e com isso mudá-la para melhor, tem a questão da transparência, ou seja, a população sabe como o governo e as escolas estão se saindo em relação à aprendizagem", afirma Saad.Instituir a cultura das avaliações na sociedade brasileira, diz Saad, foi o primeiro passo para melhorar a educação no País. "Como poderíamos melhorar qualquer coisa sem avaliar como ela está funcionado? Agora é preciso refinar essas avaliações e saber usar bem esses indicadores."   População ainda desconhece maior parte dos exames Pesquisa feita em setembro pelo Ibope, a pedido do programa Educar para Crescer e da Fundação Victor Civita, mostrou que os brasileiros desconhecem a maioria das avaliações nacionais do Ministério da Educação. Enquanto 84% são familiarizados com o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a Prova Brasil é conhecida por 21%, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) por 15% e o Sistema de Avaliação da Educação Básica por 12%. 

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