Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Enem 2019: Estudantes esperam prova trabalhosa de Matemática e Ciências da Natureza

Na Paulista, candidatos foram pontuais e ninguém se atrasou para prova; já no Rio, houve quem perdesse o horário e até documento. 'Estado' fará correção de provas ao vivo a partir de 20h15

Roberta Jansen, Tulio Kruse, José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo, Lôrrane Mendonça, especial para o Estado

10 de novembro de 2019 | 14h17

FORTALEZA, RIO, SÃO PAULO e SOROCABA - No segundo dia de provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), não houve problemas durante a entrada dos estudantes no Colégio Objetivo da Avenida Paulista, na região central de São Paulo. Mais de 2 mil candidatos estão registrados para fazer o exame na unidade. Ninguém chegou atrasado, mas uma aluna esqueceu o documento de identidade e não conseguiu entrar para fazer a prova.

As colegas Keila Porto, de 18 anos, e Larissa Vitória, de 17, inscreveram-se no Enem para continuar o que veem como trajetória de carreira. As duas já trabalharam como jovem aprendiz na área de recursos humanos (RH) e devem usar o resultado da prova para se matricular em um curso superior na mesma área. Mas, dizem, o tema do segundo dia de provas não anima.

"Desapontada por ser Exatas, mas tudo bem", diz Keila.

A estratégia dela é garantir pontos com as questões mais fáceis. "É fazer primeiro as questões que eu souber, depois voltar para terminar as mais difíceis."

A realização da prova em dois domingos não agrada todos os candidatos. Se pudesse escolher, Gabriela Nascimento, de 17 anos, preferiria resolver todo o exame em um dia só.

"Fica muito cansativo: é muito texto no primeiro dia e muita conta no segundo", diz Gabriela, que quer estudar Administração.

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Gabriela estudou menos para o Enem do que para o vestibular da Universidade de São Paulo (USP) e da Fundação Getúlio Vargas (FGV). "Ela está preparada", diz o pai, que a acompanhou até a entrada.

Momentos após a abertura do portão, ao meio-dia, o estudante Cristian Melo Nobre, de 20 anos, comia um lanche antes da prova. Aluno do curso de Sistemas de Informação já há dois anos, ele quer usar o Enem para se inscrever em um novo curso, de Ciências da Computação - e o tema de hoje, de Matemática e Ciências, é o que ele domina.

"Meu forte não é muito Literatura", afirma Nobre. "Mas acredito que a minha redação foi boa. Foi um assunto que ninguém conhece, isso favoreceu."

Nas escadarias em frente à entrada da unidade, uma candidata revisava conteúdos de Biologia, Química, Física e História anotados em um caderno. Andressa Mason Silveira, de 16 anos, não estudava para o Enem, mas para as provas que terá na escola nesta semana. Aluna do 2º ano do ensino médio no Colégio Dante Alighieri, ela faz o Enem pela primeira vez neste ano como treino e diz que não teve dificuldades com o conteúdo do exame do primeiro dia de prova.

"Coincide com as coisas que estudo na escola", diz. "Estou preocupada em passar de ano, então troco aproveitar o tempo que eu tinha aqui, antes da prova."

Rio de Janeiro

As irmãs Juliana Abreu, de 19 anos, e Mariane Abreu, de 24, não conseguiram chegar na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) a tempo de fazer a segunda prova do Enem 2019, neste domingo. Por apenas um minuto, elas encontraram os portões já fechados. Moradoras do bairro do Caju, na zona norte, elas tiveram dificuldade de pegar um ônibus até o Maracanã, onde foi realizada a prova, e tiveram que andar por um longo trecho.

"De lá pra cá, na Uerj, a gente precisa pegar dois ônibus”, contou Juliana. “Eles atrasaram e a gente não conseguiu chegar."

Mateus Soares dos Santos, de 21 anos, entrou na Uerj às 13h em ponto, correndo, com os portões sendo fechados nas suas costas. Respirou aliviado. Mas o alívio só durou alguns minutos. Quando foi assinar o nome na lista de presença, percebeu que tinha perdido a identidade e não poderia fazer a prova.

"O documento estava na minha carteira. Eu vi quando fui comprar uma água, mas deve ter caído na hora que eu paguei", contou Mateus, desolado.

Universitários da Igreja Universal que estavam na porta da Uerj para apoiar os alunos ainda tentaram achar o documento de Mateus. Percorreram o mesmo caminho que ele fizera minutos antes até o vendedor de água, mas não encontraram o documento.

"Tem muitos alunos que não tem apoio em casa, que chegam aqui muito ansiosos", explicou Andressa Viana, de 20 anos, estudante de gastronomia, que ostentava um cartaz com os dizeres "esqueça os pensamentos ruins, desistir não é uma opção". "Então a gente vem com essas mensagens de apoio."

Em outros cartazes era possível ler: "Boa prova, nós acreditamos em vocês", "O segredo do sucesso é o foco, se liga na prova", "Você está mais perto do seu sonho do que imagina". O grupo religioso levou também kits com canetas e chocolates para distribuir entre os candidatos.

A grande maioria dos alunos, no entanto, chegou cedo para evitar surpresas. Uma hora antes da abertura dos portões, muita gente já estava reunida na porta da universidade.

Foi o caso de Wesley da Silva Batista de Albuquerque, de 23 anos. Ele cursa literatura na Universidade Veiga de Almeida, mas está tentando, desta vez, conseguir uma vaga na universidade pública. "A prova foi puxada na semana passada, bem complicada", contou.

"O tema da redação (sobre cinema) foi bem inesperado." Embora diga ter "trauma de números", o candidato estava esperançoso em relação à prova deste domingo. "O meu alento é que tenho facilidade com biologia", disse.

Fortaleza

"A gente só cresce através dos estudos." Esta é a frase que Jesus Rodrigues dos Santos, de 45 anos, pronuncia diariamente no ambiente de trabalho. O profissional em serviços gerais terminou o ensino médio há 21 anos e, agora, quer iniciar uma nova carreira. Seja ela na matemática, na fisioterapia e até mesmo na gestão hospitalar. O primeiro passo é enfrentar o Enem.

"Eu não tive incentivo de ninguém, não. O dia a dia do meu trabalho foi que me fez tentar novamente e mudar de vida", afirma o candidato, que faz prova em Fortaleza.

Sem tempo por causa do trabalho, ele não se dedicou tanto aos estudos preparatórios para o exame.

"Eu nem me preparei muito, porque o meu trabalho não permite, fiquei sem tempo, mas isso não foi problema. Assisti a algumas aulas na internet e estou confiante", assegura.

Quem também busca uma nova chance é Maria Lucimar Castro, de 46 anos. Há quatro, ela tenta iniciar o curso de Serviço Social. Já Illgner Matheus Castro, de 25, tenta a prova pela terceira vez. O sobrenome em comum dos dois não é coincidência. Eles são mãe e filho e, pela primeira vez, vão fazer uma prova juntos no mesmo local, em Fortaleza.

"No ano passado, fizemos prova longe um do outro e desta vez estamos aqui. É muito legal. Eu sempre dou aquela força. Primeiro, quero que ele consiga, depois eu dou o meu jeitinho", diz a mãe.

Também em Fortaleza, a técnica em contabilidade Rejane Almeida, de 40 anos, diz que o segundo dia de prova é a etapa mais fácil. Pela segunda vez, ela tenta ingressar no curso de Administração.

"A gente tem sempre que buscar crescer, né? Eu sou técnica, mas quero ser graduada. Deixei meu filho de 5 anos em casa, com o pai, e vim fazer a prova. Espero que desta vez dê certo."

Para Abrahão Assunção, o segundo dia de provas também é a chance de aumentar a pontuação. O jovem de 18 anos fez o Enem pela primeira vez em 2017, para treinar, e conseguiu passar para os cursos de Ciências da Computação, na Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UniLab), e Matemática, na Universidade Estadual do Ceará (Uece).

Em 2018, Abrahão conseguiu novamente a pontuação suficiente para ser aprovado no curso de Matemática, mas desta vez na Universidade Federal do Ceará (UFC). Além disso, foi aprovado em Odontologia, na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), mas ficar longe da família não estava nos planos.

"Eu estou fazendo Matemática na UFC, mas o curso não é bem o que eu esperava. Então, estou fazendo o Enem de novo para passar em Odontologia, desta vez, na UFC."

Sorocaba

Em Sorocaba, os candidatos foram submetidos a um um outro 'teste' para chegarem a tempo aos locais do Enem. A chuva causou acidentes e lentidão no trânsito na cidade. Um carro capotou no acesso da Universidade de Sorocaba (Uniso). Os ocupantes, que não iam fazer a prova, não se feriram. Houve congestionamento. Uma colisão entre dois carros contribuiu para o caos no trânsito.

As amigas Emylyane Cristiane de Lima, de 16 anos, e Simone Moreira, de 17, enfrentaram a maratona de ônibus. As duas moram em bairros distantes do local de prova e tinham combinado de se encontrar no terminal Santo Antônio, no centro. As duas tiveram de seguir para outro terminal e pegar um terceiro ônibus para a universidade. Os acidentes dificultaram a chegada. “Foram mais de duas horas e, quando chegamos, estava chovendo muito e não tinha local coberto. Um dos porteiros nos emprestou um guarda-chuva”, contou Simone.

Por causa da chuva, a portaria da universidade liberou a entrada dos candidatos, pais e acompanhantes para se abrigarem sob os mezaninos dos prédios internos, onde seriam aplicadas as provas. O acesso da imprensa, no entanto, foi barrado. Os jornalistas que já estavam no interior foram obrigados a deixar o local.

A estudante Camila Correa, de 27 anos, decidiu prestar a quarta prova do Enem, em Sorocaba, incentivada pelo irmão mais novo, Victor Correa, de 18. Os dois prestavam a prova, neste domingo, 10, no mesmo local, a Universidade de Sorocaba (Uniso). Camila se considera “boa em linguística” e quer fazer Letras. “Em universidade pública, se possível”, ressalta. Melhor em exatas, Victor busca vaga na área de informática. Ele já fez o exame no ano passado.

Os dois moram com os pais e Camila pensava em desistir, depois da terceira tentativa, mas foi incentivada pelo irmão. “Meu ponto fraco é o forte dele, então eu pergunto algumas coisas de Exatas e ele me ajuda”, disse a jovem. Victor afirma que ele também tem o apoio da irmã. Os dois saíram juntos de casa e foram ao local de prova de ônibus. “Somos em três em casa, mas a outra irmã já trabalha, é funcionária pública”, detalha Camila.

Os amigos Bruno Streb, de 18 anos, e Rafaela Maeda, de 18, fizeram o segundo grau juntos e, agora,  fazem o vestibular na mesma sala. Eles se consideram “inseparáveis”, mas, no ano passado, o Enem não colaborou e cada um foi para um local diferente. “Este ano deu certo: o sistema nos colocou na mesma sala”, comemorou Bruno. 

Eles se conheceram no primeiro ano do ensino médio e sempre se apoiaram nos estudos. Bruno busca vaga na área de Psicologia, enquanto Rafaela quer fazer Direito. Os dois tinham expectativas diferentes em relação à prova. “Eu me dou bem com o raciocínio lógico”, destacou ele. “Não tive muito tempo para estudar, revisei biologia ontem à noite”, lamentou Rafaela.

Correção ao vivo do segundo dia de prova do Enem

O Estado fará neste domingo, a partir das 20h15, a correção ao vivo do exame com professores do colégio e cursinho Objetivo. Os internautas podem participar com perguntas e comentários enviados pela página do Estado no Facebook. O término das provas neste segundo dia acontece às 18h30, horário de Brasília. 

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