Sedutor no começo, cursinho exige esforços

É tudo novidade. As salas com mais de cem alunos, as apostilas coloridas, os professores piadistas, as aulas corridas, os amigos diferentes. A primeira semana no cursinho é uma festa. Mas a maioria dos estudantes sabe que, com o tempo, as novidades dão lugar à rotina e a empolgação dos primeiros dias se torna a pressão do vestibular. "Estou adorando o cursinho. Os professores são ótimos e as aulas muito mais dinâmicas que no colégio", contava a candidata a uma vaga de Medicina, Camila Peixoto, de 17 anos, em seu terceiro dia de aula. "Dá até prazer vir estudar e a gente acaba se esquecendo um pouco do cansaço que é ter aulas de manhã e à tarde." Mesmo ainda não conhecendo muita gente da sua classe, Camila afirma que já dá para perceber quem é da turma da bagunça e quem está mesmo preocupado em passar no vestibular. "Sempre tem o pessoal que quer que a festa da primeira semana continue para sempre." Em busca de uma vaga no curso de Geografia, Felipe Pinheiro Prado, de 18 anos, garante que não faz parte dessa turma. Mas já em seu primeiro dia de aula, no meio da semana passada, ele estava na turma do fundão e já selecionava as meninas bonitas da classe para serem alvos de suas próximas cantadas. "Só vim sentar aqui porque não tinha lugar na frente", desculpava-se. "Mas tenho que confessar que já achei uma meia dúzia de garotas lindas. Vim para estudar, mas dá para conciliar com um namoro." Para ele, o cursinho é muito melhor que a escola. "Ninguém repete por faltas e não há provas no fim do bimestre", dizia. "A única coisa complicada é que a aula é bem corrida. Mal dá tempo de piscar." Já Amanda Oi, de 17 anos, vestibulanda de Direito, estava mais preocupada em driblar o sono e entrar no novo ritmo. "Não vim muito animada porque sabia que, além de perder as tardes, ia ter de me acostumar à dupla jornada colégio-cursinho", afirmou. "Espero que meu corpo entre logo nesse esquema porque a primeira semana está complicada. O problema é que, com o tempo, até as aulas divertidas vão começar a enjoar." Os novos amigos da primeira semanaAmraja Dixit, de 18 anos, Priscila Íris Tamura, de 17, e Franciely Paula de Paiva, de 18, no entanto, mantinham a empolgação. "Nos conhecemos no primeiro dia e já ficamos amigas", contou Priscila. "O pessoal do cursinho é mais maduro que o do colégio, e é muito bom conviver com gente nova", completou Franciely. Amraja, que não conhecia ninguém na sua sala, também estava animada com as novas colegas. "Espero que a nossa amizade continue mesmo depois que a gente sair do cursinho." Com visual de jogador senegalês, Fernando Rodrigues dos Santos, de 16 anos, candidato a uma vaga de Administração Pública, ainda estava se enturmando. "É muita gente. Quando entrei na sala e vi aquela multidão achei meio assustador", dizia. "E minha classe na escola é grande, tem 45 alunos. Imagine quem estuda em turmas menores." Em sua primeira semana, Fernando era mais um dos que tentavam se acostumar à nova rotina. "Os primeiros dias são bem excitantes, mas cansativos. Tenho desmaiado ao chegar em casa." Ronaldo Guerino, de 20 anos, vestibulando de Arquitetura, até poderia se considerar um privilegiado já que, ao contrário de Fernando, se formou no colégio e hoje só assiste aulas no cursinho. Mas ele era um dos alunos mais dedicados na primeira semana. Depois de fazer o cursinho de manhã, ele passou as tardes na sala de estudos adiantando a matéria. "Estou tentando estudar com uns amigos do curso extensivo", explicava. "Não quero perder mais tempo e, assim, tenho de correr para tirar o atraso. Cursinho não é brincadeira."

Agencia Estado,

19 de agosto de 2002 | 19h04

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