Secretário qualifica Enem obrigatório de 'absurdo'

Paulo Renato elogiou, porém, a adoção do exame como vestibular de federais

Simone Iwasso,

08 Junho 2009 | 21h37

O secretário estadual da Educação de São Paulo, Paulo Renato Souza, criticou ontem a proposta do Ministério da Educação (MEC) de tornar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) obrigatório para todos os concluintes do ensino médio da rede pública. Foi a primeira vez que o secretário falou sobre o tema, dando a entender que o Estado não irá aderir ao projeto, que classificou de "absurdo". "O debate levou a uma sugestão que me parece absurda, que é a de se criar um exame nacional de certificação do ensino médio, que seria uma ideia inclusive mais radical que a própria experiência francesa ou alemã, que é um exame de certificação para quem vai para a universidade", afirmou ele, ao enumerar suas considerações sobre o novo Enem. "Acho que o ministério não tem a intenção de fazer um exame de certificação geral do ensino médio com o Enem ou obrigar a todos os Estados que o façam, senão estaríamos destruindo todo o sistema federativo na educação", disse. Em resposta, o ministro Fernando Haddad explicou que a proposta de um exame geral, com adesão dos Estados, surgiu em reuniões com secretários da Educação, por meio do conselho de secretários (Consed). "Estados que quiserem universalizar o Enem para os concluintes, será tanto melhor para as escolas, que terão um instrumento mais fidedigno para o acompanhamento da qualidade. São evoluções naturais", defendeu. A proposta foi divulgada no mês passado pelo ministério, após reunião com o Consed. O objetivo inicial era que essa obrigatoriedade acontecesse no ano que vem, o que pode não ocorrer pela dificuldade de garantir condições para que todos os alunos tivessem acesso ao exame. Outro ponto de divergência surgiu quando ambos foram questionados sobre a divulgação dos resultados do Enem por escola, feita regularmente pelo ministério desde 2006. Segundo o ministro, a elaboração de rankings "é um desdobramento natural da cobertura" e os "pais discernem adequadamente quais escolas devem e podem comparar". Na análise do ministro, essa forma de divulgação dos resultados "estabeleceu um paradigma no País". Paulo Renato defendeu que os resultados do Enem não podem ser comparáveis, por não se tratar de uma amostra fidedigna dos alunos das escolas. "O Enem é uma prova voluntária de alunos. Por mais que a grande maioria faça, não podemos ter a certeza de que a amostra de cada escola é representativa." O consenso apareceu quanto à adoção do Enem como parte do processo seletivo das universidades federais. Ainda neste ano, 45 instituições vão adotar o novo modelo do exame, com conteúdos expandidos, como primeira fase ou prova única. "Era o meu sonho", disse Paulo Renato, explicando que quando era ministro pretendia propor esse uso para as universidades federais.

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