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Secretária de Uberaba proíbe cartilha contra 'ideologia de gênero'

Para Silvana Silva Pereira, material estimula preconceito; vereador evangélico o preparou e distribuiu por conta própria em escolas

Isabela Palhares, O Estado de S. Paulo

07 Junho 2016 | 07h00

SÃO PAULO - Depois de um vereador iniciar por conta própria a distribuição de uma cartilha contra a "ideologia de gênero" em Uberaba, em Minas Gerais, a secretária da Educação do município, Silvana Silva Pereira, proibiu a utilização do material nas escolas da cidade.

"Jamais permitiremos que concepções sectárias, de estímulo à intolerância e à discriminação, de incentivo à cultura do preconceito com as diferenças, sejam mediadas por nossas escolas", disse a secretária nas redes sociais. 

Com o título Ideologia de Gênero – Entenda o risco que você e seus filhos estavam correndo, a cartilha começou a ser distribuído há poucos dias com a justificativa de orientar os pais e estudantes sobre a proibição das discussões de gênero nas escolas, aprovada por lei no município.  

“Pai e mãe, existem organizações muito ocupadas em destruir nossa família. Dizem que o povo é muito fora de moda e precisamos deixar os ensinamentos dos antigos e nos abrirmos às novidades”, diz a cartilha. 

Silvana afirmou que "não houve e não haverá" autorização para a distribuição dessa cartilha nas escolas da cidade.  "Temos equipe técnica, gestores , educadores e profissionais de apoio preparados e comprometidos com uma educação libertadora, solidária, pautada nos princípios da igualdade, da ética e da justiça, que não se dobrarão a nada que venha interferir no processo educacional sem o aval do coletivo, do sentimento democrático, amplamente discutido e constitucionalmente fundamentado. Nossa escola é laica e assim continuará", disse a secretaria. 

Iniciativa. A cartilha foi elaborada e distribuída por iniciativa do vereador evangélico Samuel Pereira (PR), que disse à imprensa local ter levado o material “em locais onde identificou ideologia de gênero”.

A lei foi aprovada em novembro, mesmo com parecer contrário da Comissão de Justiça da Câmara. Na ocasião, religiosos comemoraram a proposta. Para o presidente do Conselho de Pastores de Uberaba, Carlos Wilton, foi uma “vitória da família”. A Igreja Católica também apoiou a iniciativa. Já entidades ligadas aos trabalhadores da educação se colocaram contra. 

Em nota, a assessoria da Câmara de Uberada afirmou que “a discussão foi democrática, com espaço aberto para exposição de pensamentos de todos os segmentos” e não vê preconceito ou intolerância.

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