'Se as perguntas não forem boas, não darão respostas esclarecedoras', diz diretora do Ibope

Márcia Cavalari afirma que em trabalho estatístico não entram apenas bancos de dados, gráficos e números

Estadão.edu

22 Fevereiro 2010 | 23h45

A seção Autógrafo, do Estadão.edu, convida um estudante de graduação para fazer uma pergunta a algum profissional  ou professor que ele admira. Dessa vez, Marcel de Assumpção, de 23 anos, aluno do 4º ano de Estatística da USP, pergunta à diretora do Ibope, Márcia Cavallari.   O curso de Estatística tem uma carga grande de matemática, porém pouca informação de outras áreas, como ciências sociais e mercado financeiro. Isso prejudica a atuação do profissional?   "O curso capacita o aluno para que ele trabalhe com a análise de dados. Por isso, tem uma carga bastante alta de matemática. Mas não acredito que isso prejudique sua atuação profissional. Na verdade, é essa carga que dá uma base sólida para a aplicação da estatística em qualquer área. E na própria graduação há disciplinas de estatística aplicada, em que se pode trabalhar com outras ciências.   Mas é importante saber que, quando um estatístico faz um trabalho de análise, não entram só bancos de dados, gráficos e números. Mesmo com essa bagagem matemática, é sempre necessário que ele faça um aprofundamento na área de estudo. Temos de entender o contexto porque, se as perguntas não forem boas, não darão respostas esclarecedoras.   Em uma pesquisa que, por exemplo, tente entender a classe média brasileira, suas ambições e valores, é imprescindível encontrar outras informações, dados complementares, para uma compreensão real. Às vezes, há uma análise estatística pura e, quando você olha com uma ótica subjetiva, percebe que aquilo não faz sentido.   Se pegarmos apenas a teoria dos livros, percebemos que não dá para fazer nada. Mas é esse bom conhecimento teórico que permitirá que o profissional analise a situação do fato real, para que possa também ser flexível, sem perder o limite da questão exata."

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