São Paulo perde moradores de nível superior

São Paulo ainda é o Estado que mais atraimigrantes no País, apesar de toda desilusão com a busca de emprego no Sudeste, responsável por uma sensível mudança nas correntes migratórias brasileiras. Mas está perdendo moradorescom bastante escolaridade.A diferença entre moradores que chegaram e que deixaram o Estado indica um déficit de quase 11mil pessoas com 15 anos ou mais de estudos, ou seja, que chegaram à universidade.A pesquisa Migração e Deslocamento, do IBGE, traçou o perfil do migrante com base no estudo dos 5,2 milhões de brasileiros que chegaram ou saíram de Estados entre 1995 e 2000. Eles têm 27,5 anos de idade em média, são homens e em geralestão saindo do Nordeste e chegando ao Sudeste, apesar da redução do fluxo de correntes para regiões mais ricas. Os nordestinos deixam sua região com idade média de 25,3 anos.Baixa escolaridadeOs migrantes têm baixa escolaridade: 65,5% nãocompletaram o ensino fundamental (antigo primeiro grau), sendo que 14,7% não têm qualquer instrução e 19,4% são analfabetos funcionais (têm menos de três anos de estudos).São também pessoas muito pobres na maioria: 43% disseram não ter qualquer rendimento e apenas 2,1% tinham renda mensal de mais de 20 salários mínimos.A busca por São Paulo é menos intensa, mas 1,2 milhão de pessoas ainda escolheram o Estado em busca de uma vida melhor entre 1995 e 2000, segundo o IBGE. Houve uma queda de 12% emrelação às entradas de migrantes no período 1986/1991.Mais entradasDeixaram Paulo no fim da década passada 883.600 pessoas, o que indica que houve 340 mil entradas a mais do que saídas. Deixaram o Estado 52.600 pessoas de alta escolaridade, enquanto chegaram 41.700.Minas Gerais é o segundo estado que mais atraimigrantes- recebeu 447.700 migrantes. Os que mais receberam migrantes com curso superior foram Distrito Federal e Santa Catarina.Os que mais receberam pessoas de baixa ou nenhumainstrução foram São Paulo e Goiás. A Bahia é o maior "exportador" de migrantes de baixa escolaridade, ao mesmo tempo que "importa" moradores de nível superior.Frustração e retornoSegundo o pesquisador do IBGE FernandoAlbuquerque, em geral a trajetória do migrante é sair ainda jovem da terra natal, formar família e ter filhos no Estado que escolheu para morar e, desiludido com a falta de oportunidade, voltar alguns anos mais tarde, com as crianças. "O retorno por insucesso é um movimento cada vez maior", diz Albuquerque.

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