São Paulo lança em maio a Bolsa-Universidade

O governo do Estado de São Paulo começa em agosto um programa inédito de financiamento de bolsas de estudo em faculdades e universidades particulares para cerca de 25 mil alunos carentes formados em escolas estaduais. Em troca da bolsa, os alunos beneficiados prestarão serviço voluntário nas escolas da rede pública que mantêm atividades para a comunidade nos fins de semana.Batizado de Bolsa-Universidade, o projeto está em fase final de elaboração e só deve ser lançado oficialmente em maio. O governo pagará a metade da mensalidade de todo o curso. O tesouro tem cerca de R$ 40 milhões reservados para esse fim este ano.A outra metade da bolsa deve ser bancada pelas próprias instituições de ensino superior do Estado. As negociações estão sendo feitas com o Sindicato Estadual dos Mantenedores do Ensino Superior (Semesp), o maior de São Paulo, com mais de 380 escolas afiliadas. O Estado procurou a direção da entidade para comentar a parceria, mas os responsáveis não foram localizados.Segundo o secretário estadual da Educação, Gabriel Chalita, a escolha dos bolsistas seguirá um critério de renda. "Ainda estamos estudando qual o valor da renda familiar do aluno a ser beneficiado", disse ele ao Estado. O programa está sendo desenvolvido com o apoio da Unesco e da Unicef.Os trabalhos desempenhados pelos alunos nas escolas dependerão do curso de cada um. "Quem estiver estudando engenharia, poderá ajudar uma escola que tenha um projeto de embelezamento do bairro", disse o secretário. Um aluno de Educação Física poderia ajudar em projetos esportivos."A idéia é aproveitar o aluno que está realizando o sonho de entrar na universidade e levá-lo a realizar outro sonho, que é melhorar a escola pública", afirmou Chalita.Das cerca de 6 mil escolas estaduais, mil já ficam abertas nos fins de semana, oferecendo atividades esportivas e culturais. O plano da secretaria é que todas as escolas abram suas portas. A iniciativa é estimulada pela Organização das Nações Unidas (ONU) como forma de reduzir a violência em regiões carentes e melhorar a relação da comunidade com a escola.Segundo Chalita, além de se engajarem nos projetos escolares, os universitários bolsistas também poderão atuar em programas que outras secretarias desenvolverão nas escolas.A bolsa beneficiará não apenas os estudantes que passarem nos vestibulares do meio do ano, mas também aqueles que já cursam uma universidade particular e estejam enfrentando dificuldades financeiras para pagar as mensalidades.

Agencia Estado,

07 de março de 2003 | 19h40

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