Taba Bendicto/Estadão
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Cidade de São Paulo deve ter volta às aulas ainda em 2020

Prefeito Bruno Covas decidiu não adiar o retorno para 2021, como fizeram cidades da região metropolitana. Nesta quinta-feira, 17, ele deve anunciar apenas atividades extra-curriculares em outubro

Renata Cafardo, O Estado de S.Paulo

16 de setembro de 2020 | 12h13

O prefeito Bruno Covas (PSDB) já decidiu que as aulas na capital devem voltar ainda este ano e não serão adiadas para 2021, como fizeram cidades da região metropolitana. Segundo fontes da Prefeitura, ele deve anunciar nesta quinta-feira, 17, que escolas poderão começar com atividades extracurriculares em outubro. Covas pode também autorizar aulas apenas no 3º ano do médio mês que vem. A volta total às aulas, de fato, vai ser reavaliada e possivelmente deve ocorrer no início de novembro.

O adiamento para 2021 tem sido criticado por especialistas em educação que enumeram os prejuízos de falta de escola para crianças e adolescentes, como nutricionais, emocionais, além da aprendizagem. Escolas particulares têm montado protocolos sanitários com imenso esforço de logística e com altos custos e temiam justamente que nada pudesse ser colocado em prática ainda este ano.

Por outro lado, professores da rede municipal e estadual são contra a volta este ano e ameaçam greve porque temem a contaminação pelo coronavírus. A decisão de retornar com atividades extracurriculares no dia 7 de outubro vai permitir que escolas públicas e privadas ofereçam inglês, aulas de esportes, recreação, entre outras, desde que de acordo com os protocolos sanitários de distanciamento e higiene. No casos das escolas municipais, seriam atividades no contraturno.

Desde o dia 8, o governo estadual autorizou reabrir escolas em regiões que estivessem há 28 dias na fase 3 do plano paulista de flexibilização (de 5 etapas). Foi dada permissão para reforço e acolhimento nas escolas. A capital, porém, não aderiu. A gestão João Doria (PSDB) também autorizou aulas regulares a partir de 7 de outubro no Estado, mas os prefeitos têm autonomia para decidir em cada cidade, incluindo sobre as redes estadual e privada.

Até a semana passada, havia a discussão na Prefeitura de que as aulas na capital pudessem ficar para 2021, mas as pastas da saúde e da educação acabaram concordando que essa decisão não seria a mais adequada. Indagado, Covas disse apenas que o assunto ainda era avaliado por sua equipe e seria anunciado hoje. A ideia de permitir a volta em outubro do 3º ano do médio atingiria mais as escolas estaduais e particulares, já que a Prefeitura tem só oito unidades com esse nível de ensino. O objetivo seria o de ajudar no preparo ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e combater evasão de jovens. 

A presidente executiva do Todos pela Educação, Priscila Cruz, elogiou a decisão do prefeito. "Importante não desistir do ano letivo 2020. As crianças precisam de todo esforço possível, de todos nós, para que seu desenvolvimento e aprendizagem não sejam prejudicados por tantos meses de suspensão de aulas presenciais. Principalmente as crianças mais pobres", disse. Em entrevista ao Estadão, ela já havia declarado que era uma decisão "preguiçosa e reducionista" deixar a volta para 2021 sem avaliar o cenário.

Covas deve anunciar nesta quinta-feira também o resultado do novo inquérito sorológico feito com crianças da rede pública e privada. O último indicou que 16,1% têm anticorpos para o novo coronavírus. Do total, 64,4% são assintomáticos para a covid-19, dado que preocupou a gestão pela possibilidade de disseminação. Por causa disso, o prefeito não autorizou a volta em setembro, como previa também o Estado, para atividades de reforço. A decisão foi criticada pelo Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo (SIEEESP), que entrou na Justiça para contestá-la.

O diretor da Associação Nacional de Escolas Particulares (Abepar), Artur Fonseca Filho, acredita que abertura em outubro pode ser "um período de ajustes ao novo normal". "Realmente não era conveniente postergar para 2021 o retorno às atividades presenciais. O período que se inicia agora é de enorme valia para repensar o processo pedagógico e afetivo como um todo", afirmou.

Em coletiva do governo do Estado nesta quarta-feira, o secretário estadual de Educação, Rossieli Soares, comentou a decisão da Prefeitura e o fato de a volta às aulas estar sendo condicionada aos resultados do inquérito sorológico com as crianças. "Uma criança pode ser assintomática, mas estudos vem mostrando que outras populações também podem ser. Ao tomar essa decisão, deve-se observar todo o entorno, ter protocolos nas escolas, voltar de forma gradual respeitando a proporção de alunos".

Nesta segunda-feira, 14, entidades internacionais declaram que os governos devem priorizar a continuidade da educação e o fechamento de escolas só deve ser considerado quando não houver outras alternativas. As orientações estão no guia atualizado com protocolos sanitários e medidas de segurança contra a disseminação do novo coronavírus na volta às aulas publicado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e Cultura (Unesco).

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