São Bento deixa liderança pela 1ª vez

Capital fluminense ainda tem o maior número de colégios de alta performance do País

O Estado de S. Paulo

19 Julho 2010 | 00h26

 

O São Bento, tradicional colégio dirigido por monges beneditinos no Rio, perdeu sua majestade. Depois de três anos liderando o ranking do Enem, a escola caiu de posição. Considerando a média das escolas na prova objetiva e na redação, índice mais completo, o São Bento ficou em 3º lugar. Levando-se em conta apenas a média das provas objetivas, ele fica em 2º no País.

 

Restrito a meninos, o São Bento tem no currículo uma lista invejável de ex-alunos. Noel Rosa, Jô Soares, Heitor Villa Lobos, Helio de La Peña, entre outros, estudaram no famoso prédio na Praça Mauá, no centro do Rio, de frente para a Baía de Guanabara. Procurada pelo Estado, a direção da escola não foi encontrada para comentar o resultado do exame aplicado pelo MEC.

 

Incluir o nome em meio aos famosos que passaram pelo São Bento exige berço. A mensalidade da escola gira em torno de R$ 1.700, incluindo material escolar, almoço e lanches na permanência diária de pelo menos nove horas no colégio.

 

O projeto pedagógico tem cinco princípios básicos: reciprocidade, esperança, perfectibilidade e responsabilidade, todos eles sob a égide do princípio do zelo bom. A escola tem mais de mil alunos, sendo que cerca de 20% têm bolsa de estudos.

 

Um dos segredos do bom ensino do colégio é o investimento nos seus 150 professores para atender a 1.063 alunos. Há quatro anos, o colégio criou o cargo de supervisora pedagógica, ocupado por Maria Elisa Penna Firme, com 30 anos de experiência no magistério. Além dela, existe um coordenador pedagógico para cada um dos quatro segmentos (1º ao 5º ano; 6º e 7º ano; 8º e 9º ano; ensino médio). Cada disciplina tem um outro coordenador para cuidar do conteúdo. Durante o ano, os professores são convocados e pagos para assistir a palestras de especialistas em vários temas da educação.

 

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Herança. Ainda assim, a capital fluminense é a cidade com maior número de escolas com as pontuações mais altas do País. Na lista das 30 maiores notas no Enem, oito são de colégios do Rio, como Israelita Brasileiro, Santo Agostinho e Cruzeiro.

 

O bom resultado não é recente. Tradicionalmente, colégios da cidade conseguem boas médias no exame nacional. Segundo especialistas, a cidade ainda colhe os louros por ter sido capital do País até o início da década de 60 - e atraído investimentos e bons grupos educacionais.

 

Além disso, também devido aos tempos de sede do Império e depois da República que o Rio recebeu as mais antigas ordens religiosas. Não é à toa que os melhores colégios do Rio, de acordo com o Enem, são religiosos.

 

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