Sanduíche

-

Luiza Pollo, O Estado de S. Paulo

27 Novembro 2016 | 07h00

Para os executivos que ainda não decidiram se querem morar fora, uma boa opção é o MBA sanduíche, na qual parte do curso é feita no exterior. É quase regra entre as instituições de renome no Brasil oferecer uma semana ou mês fora do País. Entretanto, essa opção é normalmente extra, ou seja, o investimento financeiro é maior.

Na Fundação Getulio Vargas (FGV), destaca-se o OneMBA, da Escola de Administração de Empresas de São Paulo (Eaesp). Os alunos que optam por essa formação recebem diploma de quatro instituições estrangeiras, além da instituição brasileira: a Universidade de Xiamen (China), a Rotterdam School of Management (Holanda), a Tecnológico de Monterrey - Egade (México) e a North Carolina at Chapel Hill Kenan-Flager Business School (Estados Unidos).

“São alunos que, se a vida permitisse, fariam carreira nos Estados Unidos ou na Europa. Muitos já passaram da idade de fazer um MBA fora ou têm limitações por causa da família ou trabalho”, explica Marina Heck, coordenadora do OneMBA da FGV-Eaesp.

Pablo Billard, aluno do OneMBA, é brasileiro, mas se mudou para o Panamá quando tinha 10 anos. Cursou Administração de Empresas com ênfase em Marketing e trabalhava na empresa Cinépolis no país da América Central. Quando a empresa decidiu abrir cinemas no Brasil, o profissional foi convidado a se mudar para cá e ser gerente de operações, já que era o único brasileiro na companhia.

Ele queria fazer MBA fora e pesquisou os de Harvard, Stanford, MIT e Kellogs. “Mas comecei a conversar internamente e percebi que não era o momento de me ausentar por dois anos do trabalho.” É exatamente esse o perfil de aluno que faz um MBA sanduíche, explica a coach pessoal e profissional Paula Braga. “É uma boa para quem não pode ou não quer largar a vida no Brasil, mas quer ter acesso à oportunidade internacional. Mesmo que seja mais restrito, o contato com outra cultura e com outros professores, empresas e instituições traz uma perspectiva nova.”

E Billard não se decepcionou. O profissional destaca que os pontos positivos do MBA com experiência internacional são, além da aquisição de conhecimentos e uma reciclagem de conceitos antigos, o networking e o contato com outras culturas. “Nós nos reunimos com empresários, funcionários do governo e com um ex-ministro da Holanda, por exemplo. Isso te faz virar uma pessoa global e te abre a cabeça para o mundo.”

Esse tipo de MBA reúne diversas qualidades das outras modalidades. Experiência fora do País, possibilidade de networking dentro e fora do Brasil, conhecimento do mercado interno e externo, além da troca com alunos diversificados. “Fiz um trabalho com um argentino que mora nos Estados Unidos, uma mexicana, um italiano, um americano e uma chinesa. A gente tem de se reunir por Skype para fazer os trabalhos”, conta Billard.

A diversidade de MBAs no Brasil permite o aluno escolher o que melhor se encaixa com seu perfil, ou até mesmo encontrar um curso que misture elementos de todas as outras modalidades. A coach Paula deixa o recado: “É preciso ver que diferenciais são exigidos na carreira que você busca.” Se o MBA estiver entre eles, analise seu momento de vida, estude as instituições e se prepare com antecedência. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.