Sâmia Rios ensina a fazer livros didáticos

Protegido por uma demanda crescente, a crise econômica passa longe do mercado de livros didáticos. O setor ocupa 55% do faturamento total do setor editorial brasileiro, que é de 2,08 bilhões de dólares, segundo pesquisa da Câmara Brasileira do Livro (CBL). Enquanto a recessão produz cada dia mais desempregados, as vagas para profissionais interessados neste ramo só aumenta. Mas faltam pessoas suficientemente habilitadas para lidar com a elaboração de livros escolares, uma área onde todo cuidado com o texto é pouco. O curso "Edição, Preparação e Revisão de Obras Didáticas e Paradidáticas", promovido pela Escola do Livro da Câmara Brasileira do Livro (CBL), pode ser uma boa opção para profissionais do meio editorial que desejem conhecer mais o mercado de livros didáticos e para estudantes de comunicação social e letras.Ministrado pela professora Sâmia Rios, editora responsável por obras paradidáticas da Editora Scipione, o curso vai tratar principalmente do trabalho com o texto, mas deve abordar até a parte administrativa do negócio. O curso começa dia 25 de novembro, no Auditório da Melhoramentos, em São Paulo (Rua Tito, 479, 1º andar, Lapa). O prazo para inscrições termina dia hoje e custa R$ 180,00 para sócios da CBL, SNEL, ABRELIVROS, ABDR, ANL, SEEL, ABEC e estudantes e R$ 230,00 para não sócios. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (11)3147-0870, ramal 111. Em entrevista à Agência Estado, Rios falou sobre o curso, as perspectivas do mercado para o próximo ano e como o livro didático pode contribuir para a construção da cidadania.Agência Estado - Como está o mercado nacional de livros didáticos?Sâmia Rios - A concorrência aumentou bastante nos últimos anos, mas a maior parte das vendas continua concentrada nas editoras maiores, preferidas pelo mercado privado. No entanto, a participação de editoras menores nos programas governamentais tem sido cada vez mais significativa.Agência Estado - Deve mudar alguma coisa com o governo Lula?SR - O que se espera é que se cumpra o que está explícito em seu programa de governo: a aquisição de material para o ensino médio.Agência Estado - Qual é o principal cuidado na elaboração de livros didáticos?SR - O principal cuidado na edição de texto de livros escolares é com o nível de linguagem, que deve ser adequado para a faixa etária do público a que se destina. Outros cuidados importantes, que não fazem parte do foco deste curso, dizem respeito às ilustrações e ao projeto gráfico, cuja boa qualidade é cada vez mais cobrada pelo público consumidor e pela avaliação do MEC.Agência Estado - Quais são as diferenças entre livros didáticos feitos para crianças, para jovens e para adultos?SR - Os livros escolares feitos para crianças devem respeitar a sua capacidade de compreensão. A escolha do vocabulário e das estruturas sintáticas deve ser cuidadosa. Os livros para jovens permitem o uso de um texto mais elaborado, pois pressupõe-se um conhecimento maior dos leitores. Outra preocupação é com a formação do cidadão.Agência Estado - Como evitar que livros contenham preconceitos e ideologias ocultas em suas páginas?SR - Os editores procuram escolher bons autores e trabalham com bastante atenção, baseados nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), para evitar que isso aconteça. Além disso, para maior segurança, contam com a colaboração de leitores críticos especializados, contratados especialmente para verificar problemas desse tipo no conteúdo. Atenção especial é dedicada também às ilustrações, para que contemplem todas as etnias e gêneros, por exemplo.Agência Estado - Os critérios do MEC são válidos? SR - Podemos dizer que os critérios de avaliação são discutíveis. A discussão desses critérios deveria ser mais ampla, envolvendo as editoras como participantes ativas do processo. Da maneira como é feita hoje, em que diferentes equipes são designadas para avaliar os livros de cada área, a avaliação acaba sendo desigual, pois as equipes nem sempre seguem a mesma linha pedagógica.

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