Sala vazia e descompromisso

Repórter do Jornal da Tarde que prestou o Enem fala do ambiente no local de prova

Fabio Mazzitelli, Do Jornal da Tarde

06 Dezembro 2009 | 17h00

Metade das cadeiras da sala de aula ficou vazia. De 76 candidatos inscritos na classe em que o repórter do Jornal da Tarde prestou o Enem no sábado, em uma universidade da zona oeste de São Paulo, apenas 38 compareceram ao exame e, ainda assim, parte do grupo demonstrou uma dose de descompromisso incomum num grande vestibular, a nova roupa do Enem. Dez minutos antes de a prova começar, um dos jovens candidatos, palmeirense devidamente uniformizado, pediu emprestado ao repórter o caderno do questionário socioeconômico. Como outros faziam do lado de fora do prédio, o candidato deixara para a última hora o preenchimento do questionário que ajudará o MEC a definir o perfil dos 4,1 milhões de inscritos. A prova começou e ele ainda preenchia os quase 300 itens do questionário, que fora enviado para a casa dos candidatos com antecedência. Poucos minutos antes de a porta da sala ser fechada, um namorado corajoso falava ao celular com a amada sobre amenidades. "Um beijo", despediu-se, logo depois de ser alertado pelo fiscal – foram três fiscais por classe. Na primeira metade da prova, mesmo após os avisos para que os aparelhos eletrônicos fossem imediatamente desligados, outro celular tocou. Após o tempo mínimo de duas horas estipulado, alguns já se levantavam, entregando a folha de respostas das 90 questões de uma prova extensa, recheada de textos longos, que prevê como tempo médio para a resolução de cada item apenas três minutos. "Não entendi como teve gente que terminou depois de tão pouco tempo", disse o aspirante a uma vaga em um curso superior de Administração Fábio Keppe, de 35 anos, o último a entregar a prova na sala.

Mais conteúdo sobre:
pontoedu enem

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.