Diego Herculano/Estadão
Criado em 2007, o indicador é um dos principais mecanismos para medir a qualidade da educação no País Diego Herculano/Estadão

Entenda o que é o Ideb, índice que mede a qualidade da educação no Brasil

Até 2022, o País tem o objetivo de chegar à média geral de 6 pontos nos anos iniciais do ensino fundamental para que o índice seja celebrado nos 200 anos da Independência do Brasil

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de setembro de 2020 | 09h31

O Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) de 2019 foi divulgado nesta terça-feira, 15. Criado em 2007, o indicador é um dos principais mecanismos para medir a qualidade da educação no País. A partir daí, é possível traçar metas e estratégias para melhorar os resultados de aprendizagem. Entenda como funciona o Ideb.

O que é o Ideb e para que serve?

Criado em 2007, o Ideb é o principal medidor de qualidade do ensino fundamental e médio no País. Foi criado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), ligado ao Ministério da Educação. O Ideb serve para estabelecer metas para cada rede e escola e monitorar o nível de qualidade do ensino no Brasil. Os dados também podem indicar como está o ensino por região, estado, município e escola. 

Como a nota do Ideb é medida?

O resultado é divulgado em uma escala de zero a 10, levando em conta os dados de aprovação escolar, extraídos do Censo Escolar, e o desempenho dos alunos em Português e Matemática no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), prova aplicada pelo Ministério da Educação. O cálculo do Ideb é feito com base nesses dois números. 

Quais são as metas do Ideb?

Até 2022, o Brasil tem o objetivo de chegar à média geral de 6 pontos no Ideb dos anos iniciais do ensino fundamental (1º ao 5º ano), para que o índice seja celebrado nos 200 anos da Independência do Brasil. Nos anos finais do fundamental (6º ao 9º ano), o objetivo é 5,5 pontos e, no ensino médio, 5,2. A nota equivale à média dos alunos dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), segundo compatibilização dos resultados do Ideb e do Pisa, avaliação aplicada pela entidade internacional, feita pelo MEC. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Ideb do ensino médio tem maior alta da história, mas notas de 1º a 5º ano desaceleram

Maiores crescimentos do ensino médio foram do Paraná, 3º colocado no ranking, e da Bahia, que ficou em último; todos os Estados aumentaram notas de Português e Matemática na etapa, mas só dois bateram meta

Renata Cafardo, Victor Vieira e Daniel Bramatti, O Estado de S.Paulo

15 de setembro de 2020 | 09h32

Estagnado há anos, o ensino médio do País teve o maior crescimento da história no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) registrado em 2019, antes da pandemia do novo coronavírus. O Ideb é o principal medidor de qualidade da educação no Brasil. A nota foi de 4,2, o,4 a mais do que em 2017, mas ainda abaixo da meta estipulada em 5. 

Por outro lado, o desempenho das crianças de 1º ao 5º ano do ensino fundamental desacelerou e aumentou só 0,1, o menor avanço desde 2005, quando houve a primeira medição. Esses dados, que consideram as redes pública e privada de ensino, saem a cada dois anos e foram divulgados nesta terça-feira, 15, pelo Ministério da Educação (MEC).

A nota do Ideb varia em uma escala de zero a dez. Para calcular o índice, considera-se o desempenho dos alunos em Matemática e Português no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), prova aplicada pelo MEC, e também índices de aprovação e evasão. No caso do ensino médio, o aumento de 0,4 foi o maior desde 2005. De lá para cá, as notas tinham ficado estagnadas em três avaliações e tinha subido apenas 0,1 em outras quatro oportunidades. 

As escolas particulares avançaram menos que as públicas entre 2017 e 2019 nos dois ciclos do fundamental. Nos anos iniciais desta etapa (1º ao 5º ano), o Ideb na rede privada ficou parado pela primeira vez em 15 anos. No ensino médio, a nota das particulares passou de 5,8 para 6,0, enquanto a nota das redes estaduais do País, em conjunto, progrediu de 3,5 para 3,9. O Brasil tem 7,465 milhões de alunos no ensino médio - 84% deles nas redes estaduais. 

Todos os Estados avançaram no Ideb do ensino médio público, segmento considerado o mais problemático no País pela dificuldade de atrair e manter o jovem na escola. Nos últimos anos, Estados passaram a investir em ensino integral para adolescentes. Já a reforma do ensino médio, aprovada em 2017 com o objetivo de modernizar e flexibiliar o currículo na etapa, ainda não foi colocada em prática e tem sido ignorada pelo governo Jair Bolsonaro. Radiografias feitas por uma comissão da Câmara dos Deputados para analisar o trabalho do MEC já apontaram "paralisia" em ações da pasta e "omissão" durante a pandemia. A pasta passou por turbulências este ano, com duas trocas de ministros em menos de um mês.

"Pelo contexto de 2019 nao é factivel atribuir o aumento do Ideb a alguma política coordenada nacionalmente, as respostas estão nos Estados", diz o secretário de Educação do Espírito Santo e vice-presidnete do conselho de secretário do País, Vitor de Angelo. A rede estadual do Espírito Santo tem o segundo Ideb mais alto do Brasil e as melhores notas de Português e Matemática. Ele diz que, no Estado, o que fez diferença foi o acompanhamento de perto das escolas que tinham desempenho mais fraco nos últimos exames.

Todos as redes estaduais também aumentaram suas notas de Português e Matemática.  Mesmo com o desempenho melhor dos adolescentes do ensino médio, a meta para o País em 2019, de 5,0, não foi atingida. Os únicos Estados que bateram as metas foram Pernambuco e Goiás. O Estado de São Paulo melhorou na nota, mas não atingiu o objetivo e está em 4º no ranking nacional. O maiores crescimentos do Ideb do ensino médio foram do Paraná, 3º colocado no ranking (mesma posição de Pernambuco), e da Bahia, que ficou em último lugar.

O Ideb estabelece metas para cada rede e escola até 2021. A ideia surgiu no governo Lula, que criou o índice, por causa da simbologia do bicentenário da Independência do Brasil em 2022, quando é prevista a divulgação do próximo índice. O Brasil também não deve alcançar o objetivo estipulado para a próxima edição. Segundo tabulação do Estadão, teria de avançar no Ideb exatamente na mesma proporção em que cresceu desde 2005, mas em apenas dois anos. A previsão do Ideb era de que o Brasil chegasse a médias próximas de 6,0 em 2021, consideradas comparáveis à educação de um país desenvolvido.

A pandemia ainda vai trazer desafios extras para melhorar índices de aprendizagem entre crianças e adolescentes, diante de quase seis meses de escolas fechadas no País para conter a transmissão do vírus, uma das quarentenas mais longas na educação no mundo. Além da dificuldade de assimilar o conteúdo por aulas remotas e recuperar eventuais desafasagens na retomada de aulas presenciais, educadores apontam dificuldades para implementar medidas sanitárias, como reduzir o total de alunos por turma, risco de aumentar a evasão e de ampliar as desigualdades entre alunos ricos e pobres. "O período de exepcionalidade que estamos vivendo, a pandemia, vai prejudicar em todas as etapas", diz o secretário do Espírito Santo. Ele lembra que o Ideb é calculado justamente usando taxas de aprendizagem e e de evasao, que serão abaladas por causa do período de escolas fechadas. "Vamos assistir em 2022 a um resultado muito ruim."

A gerente de pesquisa e desenvolvimento do Itaú Social, Patricia Guedes, chama a atenção para o fato de o resultado atual do ensino médio retratar apenas os "estudantes que ficaram".  "Sem tirar o mérito de se garantir bons resultados para esses alunos, os números não contam toda a história, precisaríamos, como País, olhar também para aqueles que já deixaram o ensino médio", afirma. No Brasil, atualmente, 4 em 10 jovens de 19 anos não concluem a escola. E, com a pandemia, essa evasão tende a aumentar.

Fundamental é o único que deve bater meta para 2021

O ensino fundamental 1 (1º a 5º ano) deve ser o único a chegar ao patamar previsto para 2021. Já em 2019, o Ideb foi de 5,9 (a meta era 5,7).  O resultado para o Brasil nesta etapa, porém, é desigual pelo País. No Ceará, 98,9% dos municípios atingiram a meta, o maior índice - o Estado é apontado por educadores há mais de uma década como exemplo bem sucedido em políticas de alfabetização, principalmente por atender alunos mais pobres. Já no Rio de Janeiro e no Maranhão, menos de 50% dos municípios conseguiram. Ao separar os dados da rede particular da pública, no entanto, as escolas privadas não atingiram seu objetivo de 2019 - tiveram Ideb 7,1 e a meta era 7,4.

O nível de 6º a 9º ano (fundamental 2) teve índice 4,9 e não atingiu a meta nem nas redes públicas nem nas particulares. O Ideb precisa chegar a 5,5 em até 2021 - o que exigiria um aumento relativo a um terço do que já cresceu de 2005 até hoje. 

Os dados foram divulgados na segunda-feira, 14, embargados para jornalistas e anunciados nesta terça pelo ministro da Educação, Milton Ribeiro, que está há pouco mais de dois meses no cargo. Em ano de eleição municipal, cujo 1º turno está previsto para 15 de novembro, o MEC não divulgou ontem aos jornalistas os índices de cada cidade e escola. Os dados foram disponibilizados nesta terça-feira no site do governo. No ensino fundamental, o Brasil tem 26,9 milhões de alunos e mais da metade (56,5%) das matrículas estão nas redes municipais, principalmente do 1º ao 5º ano. 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

São Paulo volta a liderar rankings do ensino fundamental público e melhora no médio

No ensino médio estadual, depois de ter piorado na última edição, Estado registrou as mais altas notas paulistas em Português e Matemática desde 2005, mas manteve-se no mesmo quarto lugar na lista nacional

Renata Cafardo e Daniel Bramatti, O Estado de S.Paulo

15 de setembro de 2020 | 09h30

O Estado de São Paulo voltou a crescer no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e lidera os dois rankings do ensino fundamental público (1º a 5º ano e 6º a 9º ano) de 2019. No ensino médio estadual, depois de ter piorado na última edição, registrou as mais altas notas paulistas em Português e Matemática desde 2005, mas manteve-se no mesmo quarto lugar na lista nacional e não atingiu a meta para a etapa. Os dados foram divulgados nesta terça-feira pelo Ministério da Educação (MEC) e são de antes da pandemia do novo coronavírus.

No Ideb da rede particular, São Paulo não fica em primeiro em nenhum dos três rankings. Escolas privadas de Minas Gerais e Espírito Santo tiveram as melhores notas do País. O Ideb é o principal medidor de qualidade da educação brasileira e leva em conta o desempenho do alunos em provas de Matemática e Português no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e índices de aprovação e evasão

Em 2017, última divulgação do Ideb, a nota de São Paulo do ensino médio público - que é de inteira responsabilidade do governo do Estado - tinha caído de 3,9 para 3,8. Agora foi a 4,3, um crescimento de 13%. No entanto, os paulistas não atingiram a meta estipulada pelo MEC, de 4,9. Apenas os Estados de Pernambuco e Goiás, primeiro e terceiro colocados no ranking respectivamente, atingiram os objetivos. 

Nos anos finais do ensino fundamental público (6º ao 9º) as notas de Português e Matemática também foram as mais altas desde 2005 e o Estado pulou da quarta colocação para a primeira em 2019, empatado com o Ceará. A meta de São Paulo, no entanto, não foi atingida, enquanto o estado nordestino alcançou seu objetivo. As metas são feitas pelo MEC de acordo com a situação de cada Estado para que haja evolução em cada contexto. São consideradas as notas das redes estaduais e municipais dos Estados. 

Já entre as crianças menores, de 1º ao 5º ano, as redes públicas paulistas mantiveram o desempenho da última edição. O Ideb foi o mesmo, 6,5, mas atingiu a meta para o ano. 

O secretário estadual de São Paulo, Rossieli Soares, disse que o Estado "corrigiu a trajetória" e teve bons resultados. Sobre o fato de não ter atingido as metas tanto no ensino médio quanto nos anos finais do fundamental ele diz que esses objetivos foram calculados há muitos anos e não havia um histórico de quanto um Estado poderia crescer no Ideb. As metas foram criadas em 2005 pelo governo Lula. "Um crescimento linear não é possível, apesar dessas metas serem, sim, importantes", diz Rossieli, que foi ministro da Educação na gestão Temer.

Rede particular

Entre as redes privadas do País, Minas Gerais, Espírito Santo e Santa Catarina se revezam entre as primeiras colocações dos três rankings. São Paulo aparece na terceira colocação dos anos iniciais e finais do ensino fundamental (1º ao 9º ano). No ensino médio, está na quarta posição. 

Apesar de terem notas mais altas, entre 6 e 8, no Ideb, as redes privadas raramente atingiram suas metas para 2019 nos Estados. Especialistas explicam que é mais difícil crescer quando se está em um patamar mais elevado, mas mesmo assim as notas das escolas particulares têm se mostrado quase estagnadas ao longo dos anos. No relatório divulgado pelo MEC ontem, é destacado o fato de ter diminuído a distância de desempenho entre as duas redes ao longo dos anos de Ideb.

Credita-se também à não evolução das particulares o fato de a população usar o Ideb para cobrar melhorias nas escolas públicas, já os pais de escolas privadas preocupam-se com o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Dessa forma, as escolas pouco se dedicam ao Saeb, exame cuja nota compõe o Ideb.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.