Saem desabrigados para entrar alunos nas escolas de SP

A poucos dias do início das aulas na rede municipal, duas escolas da Prefeitura, na zona norte da cidade, serviam até segunda-feira de alojamento provisório para um grupo de famílias de desabrigados. Os prédios deverão ser esvaziados até hoje. Mas a Prefeitura reconhece que não terá tempo hábil para realizar algumas reformas necessárias antes de quinta-feira, quando as duas devem receber um total de mais de 4 mil alunos. Em uma das unidades, a Escola Municipal de Ensino Fundamental e Médio Derville Allegretti, em Santana, (com cerca de 2.900 matriculados), há vidros quebrados, ladrilhos soltos nos banheiros, cortinas e portas de armários arrancadas e luminárias quebradas. Uma câmera de segurança sumiu e outra foi desligada. "São problemas que não comprometem as aulas e no fim de semana faremos os reparos", disse o subprefeito de Santana e Tucuruvi, Maurício Pacheco. A escola recebeu cerca de 170 famílias vítimas do incêndio que atingiu a Favela Zaki Narchi no fim do ano. Na Emef Olívia Irene, na Vila Maria, que alojou cerca de 50 famílias, os danos foram menores. Apenas alguns vidros quebrados, segundo Pacheco. A escola tem 1.200 matrículas. Na quinta-feira, a Secretaria Municipal de Habitação começou a oferecer R$ 1 mil a cada uma das famílias, que começaram a deixar as escolas. A quantia servirá para que se mantenham pelos próximos três meses até que sejam transferidas para um alojamento - com unidades independentes - que está sendo erguido em Santana. Em uma terceira escola - a Emef Irineu Marinho, que serviu de abrigo para vítimas de um incêndio na Favela Paraguai, também no fim do ano -, a limpeza e os reparos vão adiar o começo das aulas para segunda-feira. Desocupada no dia 24, a escola tem cerca de 750 alunos. "Sempre há um prejuízo material, com maçanetas e armários quebrados. A Vigilância Sanitária também está fazendo a limpeza", diz a supervisora regional da Secretaria de Assistência Social da Vila Prudente, Marilda Canelas. "É uma situação de calamidade pública. O Estado e o município não têm espaços para emergências e é preciso usar escolas e ginásios como espaços improvisados", diz Pacheco. " Estamos trabalhando para mudar isso."

Agencia Estado,

04 de fevereiro de 2003 | 16h10

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