Rio põe merenda saudável na cantina para reduzir colesterol

Bolinho de soja, pizza de farinha integral, quiche de legumes, suco de frutas. Não se trata do cardápio de nenhum restaurante natural, mas do lanche oferecido por algumas escolas da classe média do Rio.A Miraflores, de Niterói, tem um dos cardápios mais "radicais": cortou de vez hambúrgueres, refrigerantes e doces e passou a oferecer frutas frescas, barras de cereais, salgados de forno à base de farinha integral. Exceção para um tipo de fritura: o quibe de carne de soja."A gente não acredita que a criança não possa comer doce ou fritura de vez em quando. Mas não podem fazer parte da dieta diária", diz a nutricionista Cristina Caldas.Críticas e adaptaçãoOs alunos aceitaram o novo cardápio, mas fazem críticas. "Eu preferia comer isso com coca-cola", reclama Magno Lima Viana, de 15 anos, aluno da 1.ª série do ensino médio. Colega de classe de Magno, Juliana Roldan, de 14 anos, é adepta das frutas frescas. "Meus amigos de outras escolas estranham, mas o pessoal daqui já se acostumou", diz.O cardiologista Carlos Scherr diz que os colégios precisam preocupar-se seriamente com os seus estudantes. Pesquisa feita por ele com 342 crianças de 6 a 16 anos, em oito instituições do Rio, mostrou que 23% dos alunos da rede particular têm colesterol elevado. Nas escolas públicas, esse índice é de apenas 4%."Crianças pobres brincam de pegar, jogam futebol e têm merenda escolar balanceada. As outras se distraem com tevê, computador e recebem uma alimentação sem preocupação nutricional. As cantinas são terceirizadas e estão ali para ganhar dinheiro."GincanaNa Acalanto Creche e Escola, em Botafogo, a pesagem com os alunos do jardim à 4.ª série mostrou que 67% estavam acima do peso. Foi criada uma gincana e cada vez que o aluno escolhe a "Dica de Lanche Saudável" da cantina (sanduíche natural e água de coco, por exemplo) ganha pontos, que são trocados por brindes.A cantina não deixou de oferecer hambúrgueres e refrigerantes. "A gente pode instrumentalizar a criança para que ela possa escolher e não querer o lanche prejudicial. Proibir não conscientiza ninguém", diz a pedagoga Beatriz Câmara.Nandyala Santos da Rocha Gama, de 9 anos, está entusiasmada com a gincana. "Adoro ricota", diz. Eduardo Gonçalves Borba, de 8 anos, diz que prefere o lanche natural porque tem medo de engordar. "Se eu ficar gordo vai ser difícil brincar."Naturais ganham preferênciaEm Santa Teresa, na zona sul, a cantina do Centro Educacional Anísio Teixeira (Ceat) abriu espaço para salada de fruta, sanduíche, suco e iogurte naturais."Mantemos os produtos tradicionais, que já estão na cultura dessa geração. E, aos poucos, a procura pelos naturais vem crescendo", diz José Mozart, diretor da empresa que administra a cantina do Ceat. "Só acho que não pode haver proibição (de hambúrgueres e frituras). Deve ser uma coisa gradual", acredita.Clique para ler mais em

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