Resultado do Ideb é pior ao se avaliar aprendizagem

Em apenas três Estados - Pernambuco, Rio de Janeiro e Acre - houve melhora na nota dos estudantes do ensino médio público

VICTOR VIEIRA, O Estado de São Paulo

06 Setembro 2014 | 03h00

 O mau resultado no ensino médio do País, revelado pelo Ideb 2013, é ainda pior se considerarmos apenas a avaliação da aprendizagem, um dos componentes usados para calcular o índice. Em apenas três Estados - Pernambuco, Rio de Janeiro e Acre - houve melhora na nota dos estudantes do ensino médio público. 

Somente nos primeiros anos do fundamental (1.º ao 4.º ano), a maioria dos Estados teve melhora significativa na nota e também no fluxo escolar.

Isso acontece porque o Ideb é calculado pelas notas da Prova Brasil, que mede a competência em Português e Matemática, e pelo fluxo escolar, que considera taxas de aprovação. O resultado permite que dificuldades na aprendizagem possam ser mascaradas por políticas que reduzam a repetência e a evasão.

Nos primeiros anos do Ideb, que existe desde 2005, o peso do fluxo escolar era mais elevado. A pressão por aumentar o índice, que também é vinculado ao repasse de recursos, fez várias secretarias acelerarem a passagem dos alunos de um ano para o outro. “Essa é a parte mais simples, que pode ser resolvida por decreto”, afirma a ex-secretária de Educação Básica do Ministério da Educação, Maria do Pilar Lacerda.

"Ja a mudança no nível de aprendizado é lenta porque exige esforço maior das redes", diz o presidente do Conselho Nacional da Educação (CNE), José Fernandes de Lima. “No ensino médio, é ainda mais difícil ter uma resposta porque o aluno já traz um histórico dos outros anos”, afirma.

Mudança. A tendência, de acordo com especialistas, é de que o peso da taxa de aprovação diminua cada vez mais nos próximos anos, como reflexo das políticas para reter alunos na sala de aula. “Chega-se a um ponto em que a melhora do fluxo se torna pequena”, diz Maria do Pilar.

Segundo o coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara, a decomposição do indicador é essencial para planejamento e ajuste das políticas educacionais. “O direito à educação combina acesso, permanência e qualidade”, defende. “A secretaria que aposta somente no fluxo prejudica uma geração inteira de alunos”, aponta Cara. 

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